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Um estado que lê?

Os paranaenses, que leem 8,53 livros per capita ao ano, encontram prazer na atividade, e preferem a casa às bibliotecas ou a qualquer outro espaço para sorver ideias e informações. Esses e outros dados podem ser conferidos na pesquisa Retratos da Leitura no Paraná, projeto realizado em parceria pela Gazeta do Povo, Posigraf (gráfica do grupo Positivo), Paraná Pesquisas e Marcelo Almeida.

A pesquisa, realizada entre 3 a 10 de maio do ano passado, a partir de 2 mil entrevistas, reproduz uma metodologia já adotada, anteriormente, pelo Instituto Pró-Livro em âmbito nacional e, de acordo com os responsáveis pelo projeto, os números do Pa­ra­ná são, em muitos pontos, similares aos que dizem respeito à realidade brasileira – confira os dados no quadro ao lado. “O resultado não é animador. Afinal, livro e leitura não são valorizados no Brasil nem no Paraná. A pesquisa faz essa constatação, não é ‘achômetro’. O grande desafio, a partir de agora, será desenvolver a leitura no estado”, afirma Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas.

Conhecido, nos últimos quatro anos, como o “deputado do livro”, por fomentar políticas de leitura no Câmara Federal, o empresário Marcelo Almeida, que não se reelegeu para o Congresso Naciona no pleito do ano passado, afirma que esse levantamento tem a finalidade de apontar caminhos para uma política do livro no Paraná.

O gerente de marketing da Unidade Gazeta Jornais, Axeu Beluca, completa o raciocínio de Almeida e diz que a pesquisa mostra como está o nível de leitura no Paraná para, em um segundo momento, servir de base para estimular as pessoas a se tornarem leitoras. “A Gazeta do Povo vai se guiar nesses dados para realizar ações que terão a finalidade de despertar o interesse na leitura”, afirma Beluca.

Praticidade

Entre os entrevistados, 40% responderam que leitura significa fonte de conhecimento para a vida. Almeida considera essa informação relevante. “A leitura está ligada ao índice de desenvolvimento humano. Ou seja, quanto mais próspera uma pessoa, mais ela lê”, diz o empresário, há uma década à frente de um projeto de fomento à leitura, o Conversa entre Amigos, com 25 grupos no estado, que reúne, ao todo, 1,5 mil pessoas para discussões sobre obras, sobretudo, literárias.

Almeida conta, com não pouco otimismo, que os paranaenses demonstram interesse em ler, seja o vereador que pretende aprimorar os horizontes, ao aspirante a escritor, disposto a conhecer mais possibilidades do idioma.

O estresse do presente

Ao ser informada de que, entre os obstáculos à leitura, os paranaenses entrevistados disseram que não leem por não terem paciência (21%), a escritora e mediadora de leitura Cléo Busatto afirma que esse dado é importante, e ajuda a entender o nosso tempo.

“Para ler, é necessário desligar a tevê, sair da internet e seguir por pelo menos dez, 20 páginas. Hoje, ninguém tem paciência para nada. Interagimos com o mundo, mas não integimos mais com nós mesmos. Esse é o problema”, diz Cléo que, apesar de saber que há poucos leitores, é necessário fomentar e estimular continuamente a aproximação com a palavra escrita.

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