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Sons e cantos ancestrais

A pesquisadora Marlui Miranda apresenta, hoje, palestra musicada de “Tristes Trópicos”, obra-prima de Lévi-Strauss

De um caminho etnológico, traçado na década de 30, para outro, uma viagem de volta, mas agora como pesquisa musical. Os passos do antropólogo francês Lévi-Strauss, falecido recentemente aos 100 anos, ganha cantos e sons indígenas, fruto do estudo da pesquisadora, cantora e compositora Marlui Miranda. “A matéria de Strauss era a viagem, a realidade dos trópicos, mas quando se referia à música dos povos, não os comparava a formas bárbaras, elevava a um patamar mais alto”, analisa.

Desde o fim da década de 70, quando em contato com os grupos da região do Mato Grosso e Rondônia, Marlui se dedica à cultura indígena. “Eles representam a parte mais expressiva de ´Tristes Trópicos´”, afirma a pesquisadora. No começo do ano, Marlui apresentou-se durante o lançamento da revista “Estudos Avançados”, da USP, interpretando músicas de povos indígenas visitados pelo antropólogo. “Como a revista possuía textos sobre Strauss e os organizadores sabiam que eu conhecia a região que ele visitou, fui convidada. Então, passei a reler a obra e criar um roteiro para desenhar musicalmente ´Tristes Trópicos´”, descreve.

Localizando contos e fragmentos da maioria dos grupos descritos por Strauss, “de maneira poética e literária”, a pesquisadora conta que os “Mundé” foram o grupo mais fácil de trabalhar. “Passei mais tempo e tenho mais contato com eles, até hoje”, revela.

Dona de acervo e material de gravação precioso, Marlui se orgulha de, por exemplo, conhecer músicas e saber interpretá-las rigorosamente, como os ancestrais indígenas. “Nem os ´Suruí´ lembravam. Voltei para cantar para eles, me senti como uma testemunha da história, uma fotografia do passado”.

Ao todo, serão 10 músicas (de povos como os Nambikwara, Tupi Kawahib, Tupi Mundé Suruí, Caduveo/Cadiguegodi, Bororo, Paresi, Kepkiriwat, Mbaya-Guaycuru/Guayacuro, Gé) interpretadas por Marlui, com direito a acompanhamento de instrumentos indígenas, como viola de cocho e percussão. “São instrumentos ancestrais. A viola não tem uma afinação precisa, tem aquela rudeza, aquela característica tonal linda, que é a beleza e a melancolia, parte desses cenários que estão em ´Tristes Trópicos´”.

Antes da apresentação, será exibido o documentário “Trópico da Saudade” (2009, Produção RTF), de Marcelo Fortaleza Freitas, cineasta que conviveu e realizou as últimas entrevistas com Lévi-Strauss, entre 2004 e 2008. “Estamos tentando conseguir uma cópia com legendas em português, mas por enquanto estamos com o filme em francês”, conta.

Segundo Marlui, no entanto, não há perda para o espectador. “Só de entrar nesse universo de imagens evocativas é importante. Strauss viveu num época em que ele comparava os grupos os quais visitava com um ´vazio lunar´ e disse que não estaria aqui para ver o que ia acontecer com a humanidade”, explica.

MAIS INFORMAÇÕES:
Palestra musicada do livro “Tristes Trópicos”, com Marlui Miranda, no Armazém da Cultura (Rua Jorge da Rocha 154, Aldeota), às 19h30.
Ingressos limitados à venda no espaço Armazém da Cultura (3224.9780)
e lojas Desafinado (3456.3034)
Valor: R$20,00

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

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