Continue reading " />

Sobre ciências e quimeras

LANÇAMENTO

15.10.2013

Uma saga quixotesca durante a suposta vinda de Einstein ao Ceará é o mote de “O peso da luz”, de Ana Miranda

Início do século XX. Um jovem de 26 anos que costumava ficar escondido atrás de pilhas de papel numa mesa do Escritório de Patentes, na Suiça, estava prestes a colocar as teorias de Isaac Newton (1643-1727) no bolso. O alemão Albert Einstein (1879-1955) descobriu que a gravidade, na verdade, era resultado da interação entre a massa dos corpos e uma espécie de malha criada pelo tempo e pelo espaço.

O desejo de conhecer Albert Einstein, leva um relojoeiro e seu fiel amigo poeta a Sobral

Segundo ele, o melhor modo de comprovar sua teoria era promover um experimento simples. Como a malha do espaço-tempo era curva, um raio de luz que passasse perto de uma grande estrela, necessariamente, seria entortado – coisa que Newton achava impossível.

Para verificar esse fenômeno, era preciso fotografar o céu durante um eclipse, quando é possível observar as estrelas próximas do sol.

No entanto, a Primeira Guerra Mundial, em 1914, acabou frustrando a realização do experimento em países europeus. Até que surgiu a previsão: em 1919, um novo fenômeno aconteceria e, desta vez, poderia ser visto apenas num pequeno pedaço da Terra: entre o nordeste do Brasil, um pedaço do Atlântico e uma parte da África.

Pensando nisso, Arthur Eddington, diretor do Observatório de Cambridge e entusiasta da teoria, decidiu dividir a expedição em dois grupos. Ele próprio e seu assistente, Edwin Cottingham, iriam para a Ilha do Príncipe, na costa da África. Enquanto para o Brasil viriam Andrew Crommelin e Charles Davidson, que usariam a internacionalmente certificada Sobral, como base das observações.

Roselano

E se a possibilidade de revolução da Física é capaz de transportar ingleses e alemães para o interior do Ceará, também ela impulsionaria o relojoeiro Roselano Rolim a sair de Cajazeiras, na Paraíba, rumo a Sobral. O motivo não era necessariamente o eclipse, mas o observador dele: Einstein.

O cientista não esteve no Brasil nessa época, apenas em 1925, mas não no livro de Ana Miranda. Não para Roselano. A partir da ambição do relojoeiro por conhecer Einstein se desenrola o novo livro da escritora cearense, “O Peso da Luz”, que será lançado nesta sexta-feira, dia 18 de outubro, na Livraria Cultura.

A obra, que a escritora prefere definir como uma novela e não um romance, reúne algumas características particulares de Ana: primeiro, é uma homenagem a um tio, natural de Cajazeiras, que inspirou o personagem; segundo, expressa sua admiração pela figura do cientista alemão.

“É uma história fascinante que corre na minha família, mamãe sempre a repete. Esse tio, que se chamava Inácio Nóbrega, e morava na Paraíba, inventou nos anos 1930 um controle remoto, e cedeu os desenhos e cálculos a um viajante alemão, que prometeu patentear o invento em seu país. Mas desapareceu com os esquemas, e meu tio Inácio nunca mais teve notícias. Foi uma consternação para ele e para a família. É uma homenagem aos inventores em todas as áreas, às utopias e quimeras”, afirma a autora.

Para a escritora, o episódio é também uma homenagem ao Ceará e à “vitória da cooperação contra o espírito bélico”, já que a comissão de comprovação da Teoria da Relatividade Geral era formada por britânicos e alemães em plena Primeira Guerra Mundial.

Na história, o relojoeiro de Cajazeiras, começa a admirar a obra de Einstein quando recebe de um irmão de seu avô, alemão, quatro artigos do cientista. O parente era tipógrafo de uma universidade germânica e gostava de estimular seu gosto pelas ciências. Já do avô apreendeu a profissão. Com sua morte, seguiu relojoeiro, vendendo a rodo relógios de pulso. A vida de Roselano muda, no entanto, quando o amigo, o poeta Lúmio Xerxes, mostra-lhe a notícia do jornal que informa a vinda da comissão científica.

Partem, pois, os dois amigos numa cruzada em busca da ciência. Sobre a escolha de um poeta como o companheiro fiel de Roselano, visível semelhança com Dom Quixote, Ana Miranda explica: “Para tecer laços entre a ciência e a poesia. Ambas têm exatidão, ambas se compõem de imaginação e exigem ousadia. Também para criar um parâmetro de comportamento entre duas figuras quase marginalizadas na sociedade, o poeta e o inventor, tidos como quixotescos, por abordarem reinos do conhecimento humano que são essencialmente subjetivos, e saírem em busca do desconhecido”.

Além dos dois parceiros, um terceiro segue a jornada: Galileu, o papagaio, adquirido pelo relojoeiro logo depois da morte do avô. A ele, ensinou frases em alemão e algumas poucas em português. Bom observador, Galileu aprendeu ainda algumas notas que Roselano tirava na rabeca. Na trama, Galileu é dado de presente a Einstein, gesto que a autora considera dotado de diversos simbolismos.

“O papagaio é um elemento da vida de Einstein, que cuidou de uma dessas aves. Os jornais brasileiros mencionam que durante a visita ao Rio um cidadão lhe entregou um papagaio, e Einstein teria levado essa ave para sua casa. Se for verdade, é fascinante a coincidência. De toda forma, é uma ave bem popular, domesticável, humanizada a tal ponto que chega a repetir os sons, como se falasse, e há uma força afetiva entre essa ave e a pessoa que dela cuida”, elabora Ana Miranda.

LIVRO
O Peso da Luz – Einstein no Ceará
Ana Miranda
Armazém da Cultura
2013, 241 páginas
R$40

Mais informações
Lançamento do livro “O Peso da Luz – Einstein no Ceará”, de Ana Miranda. Dia 18 de outubro (sexta-feira), às 19h, na Livraria Cultura (Av. Dom Luis, 1010)

Diario do Nordeste

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Nossa Loja Virtual

As últimas do Twitter:

Em breve oitava edição em 20 anos de publicação do livro #HistóriadoCeará , autoria Prof. Aírton de Farias fb.me/1fyFGNoAD

À espera do Irma, empresário desabafa e relato comparando RJ a Miami viraliza @UOL noticias.uol.com.br/internacional/…

Focos de poesia no Brasil. Que tal acrescentar o seu grupo? Veja o app abaixo . fb.me/wVmVwvMr

Aniversário Armazém da Cultura: 8 aninhos 🍾🍀 pic.twitter.com/ToanE0qLCJ

Twitter Media

Publishnews indica uma alta por obras de autoajuda e infantojuvenis. Autor mais vendido:Edir Macedo nexojornal.com.br/grafico/2017/0… via @nexojornal

Por que Jane Austen ainda é tão lida, 200 anos depois de sua morte? fb.me/7BXt1iyiK

Por que Jane Austen ainda é tão lida, 200 anos depois de sua morte? www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2… via @folha

Levantamento mostra a diversidade de gênero, raça e nacionalidade dos artistas na história da arte nexojornal.com.br/grafico/2017/0… via @nexojornal

Links Sugeridos:

Livrômetro

58.620.865