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Rússia celebra 190 anos de nascimento de Dostoyevsky

Publicado originalmente em Diário da Rússia

Escritor é considerado o maior nome da literatura russa de todos os tempos

Esta sexta-feira, 11 de novembro, é o dia em que a Rússia e muitos outros países estão comemorando os 190 anos de nascimento de um dos seus maiores escritores, Dostoyevsky. Nascido em 11 de novembro de 1821 e falecido em 9 de fevereiro de 1881, Fiodor Mikhailovich Dostoyevsky é considerado um dos maiores romancistas da literatura russa e um dos mais inovadores autores de todos os tempos.

Dostoyevsky conheceu algum sucesso logo com o seu primeiro romance, “Pobre Gente”, muito elogiado pelo poeta Aleksandr Nekrassov e por um dos mais importantes críticos russos da primeira metade do sécilo 19, Vladimir Belinski. Sua fama, porém, só viria depois que ele passou alguns anos na Sibéria, onde esteve preso e escreveu “Recordações da Casa dos Mortos” e “Crime e Castigo”. No entanto, a consagração definitiva só viria após Dostoyevsky escrever o seu último livro, “Os Irmãos Karamazov”, apontado pelo Pai da Psicanálise, Sigmund Freud, como o melhor romance de todos os tempos.

“Retrato de Fiodor Mikhailovich Dostoyevsky”, de Vasily Perov, tela da Galeria Tretyakov, em Moscou

Nos tempos da União Soviética stalinista, a obra de Dostoyevsky não foi bem-vista pelo regime, que definia o escritor como “expressão da ideologia reacionária burguesa individualista”. Mesmo em sua época, o escritor sofria pesadas críticas dos setores ligados ao governo, porém ele as rebatia, afirmando que o único e verdadeiro mal que sofria era ter consciência.

Fiodor foi o segundo dos sete filhos nascidos do casamento entre Mikhail Dostoyevsky e Maria Fedorovna. A mãe do escritor morreu de tuberculose quando ele ainda era muito jovem, e acredita-se que o pai, médico, pode ter sido assassinado pelos próprios servos, que o consideravam extremamente autoritário.

Antes de se dedicar inteiramente à literatura, Dostoyevsky estudou na Academia Militar de Engenharia de São Petersburgo, especializando-se no estudo de Matemática e Física. Também estudou as obras de William Shakespeare, Blaise Pascal e Victor Hugo, e a partir desses conhecimentos desenvolveu o gosto pela arte literária.

Fiodor Dostoyevsky, que se definia como um sonhador, foi preso em 23 de abril de 1849 por participar de um grupo intelectual liberal chamado Círculo Petrashevski. Enfrentou, então, acusações de conspirar contra o Imperador Nicolau I, o que fez amargar um isolamento dentro do seu próprio país.

O Círculo Petrashevsky era dedicado principalmente à discussão das condições de vida na Rússia, centrada nas obras da imensa biblioteca de obras proibidas do escritor Petrashevsky. Posteriormente, foi descoberto que, ao ser preso, Dostoyevsky já não frequentava o Círculo havia cerca de três meses.

O escritor passou oito meses na Fortaleza de Pedro e Paulo de São Petersburgo, até que, em 22 de dezembro, a sentença de morte por fuzilamento foi anunciada. Em 23 de dezembro, os condenados foram levados ao lugar da execução, e três membros do grupo, inclusive o próprio Petrashevski, foram amarrados aos postes em frente ao pelotão. Chegou, porém, uma ordem do czar para que a pena fosse comutada para prisão com trabalhos forçados e exílio. Mais tarde, os condenados souberam que a ordem havia sido assinada dias antes, e que o czar exigira a falsa execução como uma punição suplementar.

Uma das maiores surpresas de Dostoyevsky foi descobrir que na prisão existiam as mesmas diferenças sociais que havia do lado de fora. Ele conta como os camponeses zombavam dos intelectuais pela falta de destreza física nos trabalhos. Quando o escritor tentou participar de um protesto contra a má qualidade da comida, os prisioneiros não aceitaram, dizendo que ele comprava a própria comida, e não tinha do que reclamar. Mas, quando Dostoyevsky lhes explicou que o fazia por camaradagem, eles ficaram atônitos e perguntaram como um senhor podia ser camarada de um camponês. Essas experiências são contadas no livro “Recordações da Casa dos Mortos”.

Também foi na prisão que Dostoyevsky sofreu seu primeiro ataque de epilepsia, doença que o acompanharia pelo resto da vida e que também atinge vários de seus personagens.

Após ser libertado, em 1854, foi condenado a mais alguns anos de serviços forçados no Cazaquistão. Em 1857, obteve a liberdade, casou-se com Maria Dmitrievna Issaieva, mas logo na noite de núpcias o escritor sofreu uma violenta crise de epilepsia.

De volta à Rússia alguns anos mais tarde, Dostoyevsky continuou enfrentando problemas com o regime monárquico enquanto sentia as suas condições de saúde se agravarem cada vez mais. Entre 1862 e 1863, fez várias viagens pela Europa, incluindo Berlim, Paris, Londres, Genebra, Turim, Florença e Viena. Durante essas viagens teve um relacionamento amoroso com Paulina Suslova, uma estudante de ideias progressistas. Perdeu muito dinheiro jogando e retornou à Rússia no fim de outubro de 1863, sozinho e sem recursos. Doente, enfrentou novos dissabores, como a dificuldade de encontrar trabalho, pagar suas dívidas e sustentar a cunhada, que havia enviuvado do seu irmão, também doente.

Em 1865, começou a escrever “Crime e Castigo”, e, como o seu editor pedia pressa, contratou a estenógrafa Anna Grigorievna Snitkina, que o ajudou a concluir o trabalho. Apaixonados, Fiodor e Anna se casaram em 15 de fevereiro de 1867.

As dívidas de acumularam e, para fugir da pressão dos credores, o casal vagou por vários países da Europa, onde o escritor conseguiu algum dinheiro e pôde enfim retornar à Rússia e retomar a carreira.

Seus últimos anos de vida foram marcantes: em 1878, começou a escrever “Os Irmãos Karamazov”; em 1880, participou da inauguração do monumento a Aleksandr Pushkin em Moscou, onde proferiu um discurso memorável sobre o destino da Rússia. Em 8 de novembro daquele ano, concluiu em São Petersburgo “Os Irmãos Karamazov”. Sua morte, nesta cidade, foi anunciada em 9 de fevereiro de 1881, e as causas apontadas foram hemorragia pulmonar associada a enfisema e ataque epiléptico. Foi enterrado no Cemitério Tikhvin, dentro do Mosteiro Alexander Nevski, em São Petersburgo. Acredita-se que 70 mil pessoas acompanharam o enterro de Fiodor Dostoievsky.

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