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O ensino do folclore nas escolas brasileiras

Oriundo do neologismo inglês folk-lore (saber do povo), o termo folclore foi criado pelo escritor britânico William John Thoms, em 1846, para designar um campo de estudos até então chamado de “antiguidades populares” ou “literatura popular”. A Carta do Folclore Brasileiro define o conceito como “o conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social”, constituindo fator de identificação, aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade e funcionalidade. Segundo o documento, folclore e cultura popular são entendidos como equivalentes, conforme sugere a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO, na Recomendação sobre a salvaguarda da cultura tradicional e popular.

Tanto a Carta do Folclore Brasileiro quanto o documento da UNESCO ressaltam a importância da salvaguarda e da difusão da cultura tradicional e popular, especialmente na área da educação, o que torna essencial a atuação da escola. Para a vice-presidente do Centro de Estudos da Cultura Popular, organização gestora do Museu do Folclore de São José dos Campos, Angela Savastano, o papel mais importante da escola nesse contexto é a valorização do folclore. “A cultura popular estudada pelo folclore é o patrimônio mais valioso que todas as crianças possuem”, expõe.

Segundo a coordenadora de Difusão Cultural do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, Lucila Telles, a valorização pela escola faz com que os alunos, “os cidadãos que ela está formando, tenham um olhar mais respeitoso para essa cultura”. É no ambiente escolar, aprendendo e tendo acesso a outros saberes populares além daqueles que traz de casa ou da comunidade na qual está inserida, que a criança tem a oportunidade, de acordo com a especialista, de conhecer o patrimônio cultural que lhe diz respeito e se reconhecer nessa riqueza, identificando-se nas mais diversas expressões culturais.

“A escola tem uma tradição de transmitir a cultura de origem europeia. E quando ela busca apresentar para os alunos essa cultura brasileira, popular, ela está dando um salto no sentido de criar cidadãos mais conectados com o próprio lugar, com as próprias referências, da sua família, do seu bairro, do lugar de origem ou do lugar para onde migrou. O aluno tem uma noção maior do que é cidadania e dessa cultura em que ele está inserido”, afirma Telles. Para a coordenadora, seria ideal que essa cultura fosse apresentada ao aluno durante o ano inteiro, e não apenas em agosto – mês em que se comemora o folclore.

Para a temática ser trabalhada nas escolas, segundo Telles, é preciso, primeiro, que o professor conheça e se aproxime das expressões populares, buscando seu repertório de memória, das tradições familiares. “Os brasileiros têm contato com essas tradições, expressões, crenças, frases, festas, comidas, entre outros, o tempo todo no seu dia a dia. Isso pode ser trabalhado na Matemática, na Geografia, na História, no estudo de línguas. O professor, para qualificar suas aulas, pode buscar essas referências também nele mesmo”, explica a coordenadora.

De acordo com Savastano, o docente pode começar levantando o repertório que seus alunos possuem, ajudando-os a “entender seus saberes como um rico patrimônio de cada um”. Para as crianças, o professor pode trabalhar temas como modo de falar, gestos e seus significados, usos e costumes, superstição e crendice, teatro, comidas e bebidas, festas, jogos e brincadeiras, dança, música e literatura. “O importante para essas crianças é saberem, desde cedo, que sua cultura é rica porque é diversificada e que essa diversidade caracteriza e define a sua identidade”, diz.

Para salvaguardar e ensinar o folclore nas escolas, no entanto, é necessário, em alguns casos, enfrentar questões complexas dentro da própria unidade de ensino e da comunidade. É preciso superar a maneira estereotipada com que são vistas, muitas vezes, as tradições e expressões culturais populares brasileiras – especialmente as culturas afro e indígena – por determinados grupos da sociedade. Para Telles, essa é uma “questão do século 21”, séria e que demanda especial atenção.

Luana Chrispim / Blog Educação

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