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O Diário gráfico de Kitty é um poema sobre o holocausto

Durval Aires Filho

ESPECIAL PARA O POVO

 

Bem, eu sou muito emotivo e confesso que fiquei apreensivo com referência ao pano de fundo, o holocausto, de que seria esse novo texto de Diego Pontes. Ao ler o livro, para minha surpresa, encontrei aquilo que sempre discutia com meu pai em termos estéticos: o futuro da narrativa não terá mais gênero. Isso quer dizer que vai ser difícil enquadrar a obra literária, ou nomeá-la, dada as virtualidades que cada autor apresenta. A questão crucial era de tamanho. Barra da Solidão (Duval Aires, 1968) era um romance ou uma novela-reportagem? O próprio Mário de Andrade, ao tentar resolver uma dificuldade técnica em saber o que era conto ou novela, teria dito: “conto será tudo aquilo que seu autor chamou de curta narrativa”.

 

Neste propósito, examinando o trabalho do Diego, o que encontrei não foi exatamente um texto, mas um poemário, um belíssimo livro de poema, dada a concisão, a brevidade, aos versos livres e as soluções sutis lançadas por ele. Talvez a leitura da tese de Fernando Paixão possa lançar mais luzes sobre o propósito de Diego. O recurso de estabelecer uma relação pessoal com o diário (Kitty) não é uma forma convencional, embora recorrente. Atribuir humanidade as coisas é terreno próprio da poesia. Como escrevi em Aldea Lonxana, inspirado em F. Ponge, os objetos, as coisas em si, não precisam de ideias, mas a razão de existir do poeta está na variedade das coisas. A minha posição é que o poeta confere humanidade aos inanimados, aos objetos, coisas e seres, porque afinal de contas tudo é linguagem.

 

Durval Aires Filho é escritor e autor do blog Clareiras.

 

SERVIÇO

 

O diário gráfico de Kitty

Autor: Diego Pontes

Editora: Armazém da Cultura

(56 páginas) Quanto: R$ 38

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