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Mitos, ídolos, deuses e heróis do Nordeste na reedição de Parabélum

Por Cláudio Portella
Foto Francisco Souza
08/08/2011 – Publicado na década de 1970, Parabélum, do pesquisador Gilmar de Carvalho, foi apontado como um dos mais marcantes romances já publicados no Ceará. Porém, na época, a tiragem pequena e o país em plena ditadura inviabilizaram uma propagação maior da obra, assim como uma nova edição. 

Essa reedição só acontece agora, quando o público tem um novo acesso ao livro que resgata mitos, ídolos, deuses e heróis do Nordeste. “Sem dúvidas é minha ficção mais vigorosa. Acontece que me faz lembrar as dificuldades minhas neste período e o clima de truculência que dominava a cena política”, ressalta Carvalho, que fala sobre este e outros temas, como a união civil gay, na entrevista a seguir.Nas décadas de 1970 e 1980 você publicou muitos livros (de conto, teatro e crônica). E apenas um romance, Parabélum. Esse é seu livro mais aclamado pelo público e pela crítica. É realmente seu melhor livro? É onde você está à vontade?

Gosto do Parabélum, talvez tenha sido minha obra de ficção melhor recebida (pela crítica). Foi pouco lida, mas tudo bem. Não me sinto à vontade em relação ao livro. Foi escrito em uma fase muito difícil de minha vida e da vida do país. Tive até que retirar a última frase do romance, por “sugestão” do dono da gráfica onde o livro foi impresso. A escrita hermética foi também uma escolha, um artifício para escapar da censura da época. Eu me sinto mais à vontade com o Buick Frenesi, que traz mais do meu humor e da minha irreverência.

Por que você não se sente à vontade com o livro? A frase final do livro que não saiu na primeira edição, aparece agora nessa nova edição?

Não é que não me sinta à vontade. Gosto dele e sem dúvidas é minha ficção mais vigorosa. Acontece que me faz lembrar as dificuldades minhas neste período e o clima de truculência que dominava a cena política. É difícil para mim voltar ao Parabélum. Mas a volta me deixa feliz em retomar um projeto interrompido, de certo modo, não apenas pela ditadura, mas pela fragilidade da indústria cultural da qual ele era um “produto”. Tiragem pequena, edição do autor, falta de circulação, tudo isso impediu Parabélum de cumprir seus objetivos de acionar o gatilho da palavra. A última frase, suprimida na primeira edição, fazia parte de uma cronologia de atos que o protagonista fez ou deixou de fazer. Era uma brincadeira com a história factual, em voga nos compêndios didáticos. O meu herói não teria editado o AI-5. Agora a frase voltou e o livro deixou de ser mutilado. É mais um ganho.

Qual a sensação ou importância que você vê nesse resgate do livro pela editora atual?

É muito bom saber que o que foi feito há mais de trinta anos mantém um interesse para os novos leitores. O Armazém da Cultura, que reeditou Parabélum acredita no romance e no seu potencial. O livro foi bem revisado, ganhou projeto gráfico de qualidade, uma capa que tem a ver com o texto, uma distribuição profissional e uma série de lançamentos nos chamados grandes centros (Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro). A apresentação de João Silvério Trevisan e as orelhas de Ana Miranda já justificam, para mim, a saída do limbo. Agora é trabalhar para que Parabélum aconteça, alcance novos leitores, faça pensar e mostre que a literatura tem uma função instigante.

Dos anos 1990 até então você se dedicou exclusivamente a publicar livros sobre a cultura nordestina, obras com caráter acadêmico. Por que essa revisão de foco de livros literários para livros de pesquisa? De uma prosa de ruptura para ensaios universitários?

Foi uma decisão que veio por conta de um projeto de vida. Poderia ter continuado a fazer ficção, mas preferi me dedicar à carreira acadêmica. Senti falta de alguns textos em salas de aula. Descobri que viajar é uma experiência que nos enriquece muito e percorri o interior do Ceará em busca da tradição que se atualiza na contemporaneidade. Estou feliz com a escolha feita. Não avalio o caminho percorrido como equivocado.

Você nunca escondeu que faz análise há muitos anos e a sua homoafetividade. O que você aprendeu com ela? Você está feliz com o reconhecimento da união estável gay?

A análise me ajudou a conviver com meus conflitos, a escutar melhor os outros e a me ter uma noção mais exata dos (meus) limites. Fico feliz com todas as conquistas que levem à superação dos preconceitos e à construção de um mundo melhor e mais solidário.

Fonte: Cultura News ( Portal da Livraria Cultura)

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