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Livro de Gilmar de Carvalho volta às prateleiras das livrarias

Publicação: 09/08/2011

Gilmar Carvalho: no livro, o narrador e o protagonista se misturam (Francisco Sousa/Divulgação )
Gilmar Carvalho: no livro, o narrador e o protagonista se misturam

Os atrevimentos de Gilmar de Carvalho em Parabélum (Armazém da Cultura) parecem vir de uma novidade do mercado literário: o herói tem características de uma porção de gente — Lampião, principalmente, depois Jesus, Che Guevara, Zumbi dos Palmares e mais alguns —, e a narração, arcaica e moderna, tem a solenidade de um capítulo bíblico e os desvios de uma história em quadrinhos. Na verdade, o cearense de Sobral gosta de lembrar, o livro foi publicado em 1977 — timidamente, em baixa tiragem e edição do autor.

Em 2011, o escritor acerta as contas consigo mesmo. “Não queria cair novamente num segundo equívoco, de eu mesmo bancar ou depender de editora. Ofereceram uma boa reedição. E queria recuperar o tempo perdido, fazer com que as pessoas pudessem ter acesso ao livro. Fiquei uma temporada inteira atrás dele. Não encontrava nem em sebo”, observa Gilmar, agora satisfeito. Seu primeiro e único romance voltou à prateleira dele e das livrarias.

Morando em Fortaleza desde os 2 anos de idade, Gilmar largou a ficção uma década depois, em 1987.

Desde então, dedica-se à vida acadêmica e a trabalhos “muito cartesianos”, ele define. Mas a energia daqueles tempos, em que ele burlou o romance regional, é inesquecível. “Comecei a escrever aos 25 anos. O momento político era de ditadura, um clima opressivo.

A minha escrita tentava combatê-lo e deixa marcas visíveis. Eu recorria a metáforas, tentava fazer uma literatura mais hermética. Queria interferir, mas não queria ser preso ou que o livro fosse confiscado”, detalha.

Antropofágico
Gilmar conta que, na época, não tinha noção da ideia de pós-modernidade. “Tem uma coisa meio paródica, de referências, citações. Uma ruptura com a linearidade. A gente diz que é um romance, talvez porque precisamos de rótulo ainda”, fixa. Para quem anda sem tempo, ele recomenda uma leitura esporádica, sem obediência à ordem dos capítulos. E, em cada um deles, o domínio é da ironia. O narrador pode ser substituído pelo próprio protagonista, que, às vezes, toma as rédeas do texto. Em outros momentos, aparece uma sátira autoconsciente, como na seção em que toda a trajetória do herói é construída de cômicas negações. “Em 1946, não foi condenado pelo tribunal de Nuremberg ao lado de 21 carrascos nazistas por crimes de guerra”, ele escreve.

Apesar da óbvia ligação com a tradição nordestina, o autor diz que estava mais preocupado com a realidade nacional. “Talvez tenha uma crítica à indústria cultural. Esse Nordeste de cangaço e cordel é tratado de forma muito estilizada. Tento criar algo mais amplo a partir daí”, destaca.

Como nota o escritor paulista João Silvério Trevisan na apresentação, o título reproduz a pistola de Lampião, uma parabelum 97. A inscrição vem de um provérbio latino: si vis pacem, para bellum (“se queres a paz, prepara a guerra”). Nas mãos de Gilmar, a arma não destrói. Apenas constrói.

Trecho
“Era uma vez e aquela seria a região onde nasceria o homem, personagem e fio condutor desta narrativa. A tessitura destes relatos pretende ser um projeto de romance. Ou um evangelho, poderão dizer. Um romance da caatinga apesar de todas as denúncias e do filão mesmo, segundo os críticos. É necessário pôr um radinho de pilha na história e reciclar a linguagem de uma literatura que se pretende enraizada na alma vertical de um povo não escolhido”
Parabélum, de Gilmar de CarvalhoO lançamento é hoje, às 19h30, na livraria Fnac (ParkShopping).

Fonte: Correio Braziliense

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