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Livrarias, inovar sim

Por Vitor Tavares

As duas últimas importantes pesquisas do setor do livro no país apontam que o número de livrarias no Brasil cresceu 11,12% e continuamos sendo o mais importante canal de venda de livros, com mais de 40% do setor. Embora, numa leitura superficial destes números alguns poderiam supor que os livreiros choram por pouco, já os mais atentos observam que as livrarias estão cada vez mais concentradas nos grandes centros, que mais 70% das livrarias espalhadas pelo país, são de livrarias independentes com até duas lojas (63% delas com apenas uma), mas representam apenas 30% do faturamento total do setor de livrarias, que hoje atinge a marca dos R$ 2 bilhões/ano.
Faturamento este que agrega 2.980 livrarias, espalhadas por este imenso país, o que nos apresenta uma livraria para cada 64.255 habitantes. Se fizermos um comparativo com outros países da América Latina, não estamos muito confortáveis neste ranking, lembrando aqui que por sugestão da Unesco o ideal é uma livraria para cada 10 mil habitantes.
Mas, como antes de tudo todo o livreiro independente é, por natureza, um D. Quixote sempre disposto a ver o lado positivo das coisas. Temos consciência de que a nossa sobrevivência ainda é muito temerosa, mas vamos descobrindo caminhos alternativos com as novidades que nos são apresentadas.
Sabemos quanto o livro eletrônico é provocador, mas acredito ser muito difícil substituir 100% os livros físicos. Vejamos, se quem inventou o livro eletrônico buscava portabilidade, acessibilidade, agilidade e conteúdo para todos, não pode esquecer que tudo isso, também é possível de se encontrar no livro impresso. Está sim uma invenção quase perfeita, pois contempla tudo isso. Claro que o livro eletrônico — em suas diversas apresentações e plataformas de leitura (Book, iPad, Kindle) — tem suas vantagens e será uma excelente ferramenta de trabalho para o professor, o jornalista, o jurista e leitores habituais, que consomem um número de livro acima da média. Para esses leitores, por exemplo, o livro eletrônico será de grande utilidade, mas o que seria do leitor de um ou dois exemplares/ano, considerada a média nacional. Que interesse ele teria em uma prancheta que armazena mais de 1.500 títulos?
Se os livros publicados por ano no país e mais boa parte da nossa bibliodiversidade forem substituídos por e-books, estaríamos contribuindo para a formação da “elite” do livro eletrônico e excluindo milhões de brasileiros que não têm acesso e nem condições financeiras às novas tecnologias, que só o livro pode preencher essa lacuna e, ainda, propicia a difusão da leitura, do conhecimento e do saber para todos.
Em resumo: temos sim que acompanhar e adotar as novas tecnologias, esse é o caminho. O livro físico não desaparecerá , mas o eletrônico, rapidamente, ocupa seu espaço na vida dos leitores e caminhará paralelamente ao livro físico.
Mas seja qual for o formato do livro, somos um povo que sempre, quando há oportunidade, buscamos a leitura, seja através das livrarias, dos sebos, da venda on line, das bibliotecas e dos eventos literários. Se assim não fosse, a 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, não teria arrebatado mais de 700 mil visitantes em dez dias. Esta demanda está por aí, no dia a dia, e cabe a nós, o principal canal de vendas de livros no país, inovar e sobreviver, trazemos este público leitor até nós.

Vitor Tavares é Presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e diretor das Livrarias Loyola

Fonte: www.hojeemdia.com.br

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