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Literatura brasileira no mundo

Agentes, tradutor e acadêmicos conversam sobre a internacionalização da literatura brasileira no Fórum das Letras de Ouro Preto


Fotógrafo: Marcelo Tholedo

 

Nicole Witt é a diretora da agência alemã Mertin, que há 30 anos trabalha com literatura portuguesa e espanhola. Jonah Straus, dos EUA, trabalha com literatura brasileira para países de língua inglesa há cerca de um ano. Experiências opostas e complementares que se juntaram à voz de Berthold Zilly, tradutor de português para alemão – traduziu Sertão e recentemente começou a trabalhar em uma nova tradução de Grande sertão, veredas – e à de Affonso Romano de Sant’anna, escritor e ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional, para discutir, ontem, no Fórum das Letras os caminhos, dificuldades, oportunidades e necessidades para o crescimento da literatura brasileira no exterior.
Durante a conversa mediada pelo jornalista Felipe Lindoso, os quatro apontaram várias perspectivas diferentes, mas convergiram em pontos básicos.
Eles também apontaram a barreira do idioma que impede agentes e editores estrangeiros de ler e conhecer a literatura brasileira. Dos cerca de 250 milhões que falam português no mundo, 200 milhões estão no Brasil! Uma das sugestões, portanto, é traduzir as obras nacionais antes de tentar vender seus direitos no exterior. Nicole Witt sugeriu: “Traduções para o inglês, francês ou até mesmo espanhol são muito importantes para que os autores brasileiros sejam mais bem conhecidos no exterior.”
Desse ponto, surgiu uma questão um pouco mais ampla, que já foi referida como o “Instituto Machado de Assis”. Em outras palavras, a necessidade urgente de criar um programa que divulgue a cultura brasileira como um todo, envolvendo o idioma e a literatura de forma consistente. Algo como fazem o Instituto Cervantes, da Espanha, e o Instituto Goethe, da Alemanha.
As dificuldades econômicas atuais da Europa, o fechamento de livrarias lá fora e as dificuldades técnicas para tradução também foram citadas como agravantes no trabalho de “vender” o autor brasileiro no exterior. Mas houve também palavras positivas.
Jonah Straus destacou a mudança na atitude dos editores norte-americanos em relação aos autores brasileiros. Segundo ele, os editores em seu país estão muito mais receptivos à literatura do Brasil. Nicole citou que uma editora na França já conta com 80 escritores brasileiros em seu catálogo.
Felipe Lindoso contou que, em uma busca na internet, encontrou informações da Unesco mostrando que os autores brasileiros mais traduzidos no exterior são, pela ordem, Paulo Coelho, Jorge Amado, Leonardo Boff e José Mauro de Vasconcelos – autor de Meu pé de laranja lima.
Fontee: Publishnews

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