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Inglaterra corre para não chegar tão atrás dos EUA na era digital

Nesta mesma época no ano passado, a nuvem do vulcão Eyjafjallajökull fechava o espaço aéreo europeu e frustrava a organização da Feira do Livro de Londres e todos os editores estrangeiros que tentavam chegar à cidade. Para compensar o ano que passou praticamente em branco, uma extensa programação de seminários (são mais de 300) foi preparada para esta edição, que começou a receber os primeiros visitantes na manhã desta segunda-feira (11). A feira é aberta apenas para profissionais do mercado editorial e espera receber mais de 23 mil pessoas. Ontem, parte desses visitantes dispensou o domingo de sol e passou o dia na Conferência Digital, no Olympia Conference Centre.

No palco, 20 editores, quase todos britânicos, e convidados vindos de outras indústrias, como a de música, de filme e de telefone celular, se revezam em previsões, conselhos e propaganda de seus produtos.
Entre os destaques, Evan Schnittman, diretor de Vendas, Marketing, Impressão e Digital da Bloomsbury, que anunciou para breve a morte dos enhanced e-books. Segundo o diretor, fazer um aplicativo para livro é caro e todo o trabalho acaba se perdendo. Os ingleses parecem um pouco confusos quanto ao que será de fato o futuro digital do livro. Horas depois de Schnittman desencorajar a produção de livros como aplicativos, Henry Volans, responsável pela área digital da Faber, usou seus 10 minutos para apresentar os experimentos que a editora vem fazendo neste campo, como a versão para iPad de The Waste Land, de T.S.Elliot, que deve ser lançada nos próximos dias. O leitor pode tanto ler o poema como faria no livro impresso ou, se preferir, pode ouvir o autor lendo, assistir a uma atriz interpretando e por aí vai. Os livros infantis, no entanto, são os que mais se beneficiam dessa tecnologia.
Mas em uma coisa todos os palestrantes concordaram. Só terá sucesso quem souber o que o cliente quer e puder atendê-lo de forma simples. Para isso, editoras, livrarias e outras plataformas usam todas as ferramentas possíveis para conhecer essas pessoas. O que compraram, os assuntos preferidos, de onde vieram e quanto gastam em média são informações básicas que vão ajudando a construir o perfil desse comprador. Depois disso, é só oferecer serviços e produtos e, com um ou dois cliques, a venda está processada. “Quanto melhor conhecermos os clientes, mais fácil será colocar os livros certos nas mãos deles”, comentou Michael Tamblyn, vice-presidente de conteúdo, venda e publicidade da Kabo. Uma questão de privacidade, mas que está sendo usada como ferramenta de venda.
Para Michel Comish, CEO da BlinkBox, uma empresa de vídeo sob demanda com mais de 2 milhões de usuários únicos e um acervo de mais de 8 mil livros, o caminho para atrair os leitores para a era digital é dar algum conteúdo sem cobrar por isso. “O lado grátis do negócio permite atingir um grande público e fidelizar o cliente”. Parte do que sua empresa oferece é grátis e isso só é possível por causa dos anunciantes. Mas ele adverte: “a economia da publicidade só funciona em escala colossal”.
Para ele, as plataformas de distribuição vão se resumir a Apple, Google, Amazon e Facebook e ele sugeriu que os editores não se prendam a apenas uma delas, como tem acontecido hoje. Por fim, disse que os editores devem tomar as rédeas da edição digital, já que este não é um trabalho de TI e sim de estratégia. Jane Tappuni, da Publishing Technology, é da mesma opinião. “A tecnologia é a chave para a renovação. Conheça o pessoal de TI que trabalha para você e fale para eles o que você quer. Não espere que eles dêem a tecnologia deles”, comentou.
Da indústria da música vem o recado: “Separar e vender capítulos de livros não é uma ameaça à indústria do livro, mas sim uma oportunidade de negócio para as editoras”. Paul Bridley, CEO da Music Ally, acredita que o mercado editoral não vá sofrer tanto com a pirataria quanto a indústria fonográfica sofreu e pensa que no futuro a prestação de serviço, como acesso temporário a livros, pode se sobressair à venda de produtos.
Nenhum e-reader específico foi destacado no seminário, e como disse o diretor da Bloomsbury, Evan Schnittman, “leitores vem e vão”. Para ele, não são os devices que movem o mercado amerciano e sim as plataformas. “A batalha que se abre envolve usuários do Kindle que vão querer ler no iPad. E aí, como faz?”, questionou. Além disso, ele comentou que as editoras não tradicionais, ou seja, as que já nasceram digitais, podem esperar bons ventos no futuro.
Gordon Willoughby, diretor do Kindle na Europa, lembrou aos editores que os livros não competem mais só entre si e que o preço é o que vai definir se o internauta vai comprar um livro, um CD, um DVD ou apenas assinar gratuitamente um jornal.

A indústria do livro na Inglaterra está alguns passos atrás da americana no que diz respeito ao livro eletrônico, aspecto destacado pelos palestrantes e percebido pelo nível dos debates. Enquanto não se decidem se têm medo ou não de pirataria, se devem ou não digitalizar livros esgotados, se lançam ou não as versões impressa e digital ao mesmo tempo, editores ingleses especulam sobre o que ainda está por vir. “Não sabemos como será o mercado do livro digital do futuro, mas sabemos que ele não será como é hoje”, disse Benedict Evans, da Enders Analysis. Para ele, o celular como uma plataforma de leitura certamente fará parte desse futuro. Andrew Bud, da mBlox e Mobile Entertainment Forum, concorda mas insiste na questão de simplificar a vida do cliente. “Os editores estão entrando num mercado que já é grande e bem desenvolvido e só terá sucesso quem trabalhar de forma simples. Você não precisa ser a Apple ou a Amazon para vender alguma coisa em dois cliques”, disse.

Fonte: Publishnews

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