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"Galegos" serão agentes de leitura

Sobre duas rodas, eles atravessam bairros. E levam consigo um sem número de bugigangas. Panelas, calçados, roupas, acessórios, eletrodomésticos. Tudo para vender de porta em porta. Conhecidos como “galegos“, esses personagens mantêm seus itinerários nas periferias.

Em Fortaleza, não há um levantamento sobre quantos estão nas ruas. Mas um novo perfil da categoria está prestes a ser criado: os “galegos agentes de leitura“. Até o fim deste ano, 55 deles surgirão na cidade. Porém, no lugar de comercializarem produtos domésticos, usarão as bicicletas para fazerem empréstimos de livros. A iniciativa é da Prefeitura em parceria com o Ministério da Cultura (Minc).

O projeto é inspirado no programa “Agentes da Leitura“, da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), que, desde 2005, forma jovens para estimular o acesso ao livro em 31 municípios cearenses. Na Capital, os galegos atuarão em localidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A princípio, serão no Serviluz, Autran Nunes, Conjunto Ceará, Conjunto Maria Tomásia e Barra do Ceará. Onze “galegos“ serão responsáveis por cada região. “Os galegos funcionarão como elo entre cultura e população“, diz a secretária de Direitos Humanos, Glória Diógenes.

O edital para a seleção dos “galegos“ será aberto este mês. E contará com exigências: o candidato vai atuar no bairro onde mora, precisa ter entre 18 e 29 anos e ensino médio completo. Quando começarem a rodar pelas periferias, receberão uma bolsa de R$ 350. Cada um terá 150 livros para emprestar a 40 famílias, que serão cadastradas na biblioteca do bairro e participarão de rodas de leitura.

O investimento total será de R$ 401 mil, sendo R$ 321 mil do Minc e R$ 80 mil do Município. “O galego é uma pessoa bem quista por onde chega. Então, podemos dizer que essa é uma ação de inclusão social e de cidadania por meio da democratização do livro“, resume o diretor do livro, leitura e literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos.

Ele é o criador do “Agentes de Leitura“, que surgiu no Ceará e está sendo replicado em outros dez estados brasileiros. Por conta disso, já prevê os reflexos do trabalho dos galegos. “O rendimento das crianças na escola vai melhorar consideravelmente“, comenta. E os jovens serão o vetor de contato com as famílias. “Vamos seduzi-los primeiro para, depois, envolvermos os pais no gosto pelo mundo da literatura“, adianta Glória Diógenes.

EMAIS

SELEÇÃO
– A seleção dos galegos é dividida em duas fases. Na primeira, os candidados serão submetidos à prova escrita de interpretação de texto e produção textual, e farão feste de fluência de leitura. Na segunda, passarão por uma entrevista domiciliar, que visa avaliar a relação deles com a comunidade.

AVALIAÇÃO
– Cada galego passa apenas dois anos no cargo. Ao completar 12 meses, é submetido a uma avaliação.

AGENTES
– Até o final do ano, o Ministério da Cultura pretende criar quatro mil agentes de leitura em todo o País. Hoje, só no Ceará, são cerca de 500.

OUTROS ESTADOS
– Projetos já estão sendo formulados para os estados do Maranhão, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Acre, Pará, Bahia e São Paulo.

DOAÇÃO DE LIVROS
– Além de criar a figura dos “galegos agentes de leitura”, a Prefeitura de Fortaleza pretende criar uma campanha permanente de doação de livros.

Fonte: O Povo

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