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Feminino singular

A psicanálise enfoca as histórias vividas por Capitu, Madame Bovary e Ana Karenina no livro Três Mulheres no Divã de Freud, de Adísia Sá e Cleto Pontes. O título tem lançamento hoje no Centro Cultural Oboé

Marcos Sampaio
marcossampaio@opovo.com.br
01 Dez 2009 – 02h03min
Adísia Sá: Não digo que elas traíram. Digo que elas amaram (Foto: DÁRIO GABRIEL)
As relações extraconjugais sempre foram um tema recorrente nas rodas de conversa. Verdadeiro tormento entre os casais, a simples menção ao assunto já é motivo suficiente para que se ponha uma pulga atrás da orelha e se comece a desconfiar do seu parceiro. Não por acaso, são muitas as histórias reais ou fictícias (e outras nem tão reais e nem tão fictícias) contadas pelas ruas sobre casos de adultério envolvendo amantes de todas as cores, idades e classes sociais. Cada uma mais curiosa que a outra. Na literatura, também, não foram poucos os personagens que tiveram seus corações divididos entre dois amores.

Três deles, pelo menos, merecem uma atenção especial. São elas Emma Bovary, escrita por Gustave Flaubert em 1857, Capitu, personagem de Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, e Anna Karenina, de Leon Tolstoi, protagonista do romance homônimo publicado entre 1873 e 1877. Igualmente conhecidas por terem traído seus maridos, elas são as personagens do livro Três mulheres no divã de Freud, assinado pela escritora Adísia Sá e pelo psiquiatra Cleto Pontes, que será lançado esta noite no Centro Cultural Oboé. Juntos, eles analisam a alma e dão voz a essas mulheres que, mesmo sendo apenas obras da ficção, causaram incomodo e polêmicas reais em suas épocas.

“Não digo que elas traíram. Digo que elas amaram“, reflete Adísia também autora de Capitu conta Capitu onde a personagem revela sua versão dos fatos. “Capitu não amava Betinho, amava Escobar. A discussão maior era se ela traiu ou não. A mim isso não interessa. O que interessa é que ela amou. Ela não traiu o marido por que traição só acontece quando se ama e ela não amava Bentinho. Já Bovary teve oportunidade de ter a ascensão ao sucesso, mas não era satisfeita no leito conjugal. Ela era grande demais para os homens pequenos que amou“.

Ao longo de 137 páginas, Adísia Sá assume a voz de Capitu, Bovary e Karenina, revelando suas próprias histórias para que Freud, o “pai da psicanálise“, aqui representado pelo professor, escritor e psiquiatra Cleto Pontes, de o seu diagnóstico. “Os depoimentos chegam a Freud quando ele está em Londres, pouco antes de sua morte. Ele deixa um recado para que um discípulo faça uma análise. É quando chega o Cleto“, explica a autora. Ele, então, deitou suas três pacientes no divã e jogou a luz da ciência sobre os acontecimentos. “Me coube fazer mais a parte psicanalítica, como se eu fosse Freud. Adísia recriou as três histórias e eu crio várias tramas baseadas em fatos verídicos. Os conflitos de Freud com o sexo e com Jung por que Freud valorizava muito a libido. Como ele falava muitas línguas, coloco como se ele tivesse lido os originais das histórias“, diz Cleto.

Adísia Sá conta que foi um desafio mexer em personagens clássicas da literatura. Desde que lançou Capitu conta Capitu, em 1992, algumas dúvidas ainda ficaram no ar: o que disse Sancha, esposa de Escobar? Como Capitu viveu na Suíça? “Sempre quis rever, na minha ótica, os autores clássicos da literatura. Se eu mexi com o Machado, por que não mexer nos outros dois sagrados? Eles todos conhecem bem a alma feminina, mas de uma época. Eu fiz a mulher como ela é, vista por uma mulher e não por um ficcionista“, resume a autora.

Depois dessas três personagens, o projeto de Adísia é se debruçar sobre o mito grego de Antígona. Já Cleto, aproveitando as discussões sobre ter ou não ter hospital psiquiátrico, pretende lançar, no próximo ano, um trabalho onde confronta O cemitério dos vivos, de Lima Barreto, e O Alienista, de Machado de Assis. “A obra de arte é um coisa que não termina. Três mulheres no divã de Freud dá uma oportunidade do leitor reler as obras“, comemora. Adísia concorda e acrescenta que o objetivo não é redimir os personagens. “Dei o destino que quis. Eu não analiso e não julgo meus personagens. Eu crio. A mensagem é dar à mulher o direito de viver a vida dela e não a dos parâmetros dominantes da sociedade. Só coloco a elas o direito de amar.“

SERVIÇO

TRÊS MULHERES NO DIVÃ DE FREUD – Lançamento do livro de Adísia Sá e Cleto Pontes. Hoje (1º), às 19h30 no Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531 & Aldeota). Outras informações: 3264 7038. Preço: R$ 30.

E-Mais

> Personagem central do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, Capitu guarda um dos maiores mistérios da literatura: ela traiu ou não seu marido Betinho com o amigo Escobar?

> Madame Bovary foi publicado em 1857 e resultou num grande escândalo que levou o autor, Gustave Flaubert, ao tribunais para se defender de acusações de ofensa à moral e à religião. Foi quando ele disse a célebre frase: “Emma Bovary sou eu“.

> Iniciado com as frases “Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira“, o romance Ana Karenina, de Leon Tolstoi, conta a história de um caso extraconjugal protagonizado por uma aristocrata da Rússia Czarista.

Fonte: O Povo

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