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Estudo revela importância do ensino de libras na primeira infância

A linguagem de sinais pode dar aos surdos todas as possibilidades cognitivas proporcionadas pela linguagem. É essa a conclusão de um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pela lingüista Júlia Maria Vieira Nader. Intitulada “Aquisição tardia de uma língua e seus efeitos sobre o desenvolvimento cognitivo dos surdos”, a pesquisa revela a importância da aquisição da Libras desde a primeira infância pelos surdos. Segundo Nader, “a sociedade considera inevitável que os surdos tenham dificuldades de aprendizagem, que tenham uma comunicação ‘truncada’, que tenham um atraso no desenvolvimento e, por isso mesmo, devam ser acomodados em determinados lugares restritos, nos círculos sociais e profissionais”.

A experiência da pesquisadora no Centro de Reabilitação Gabriel Porto, da Unicamp, com  crianças e jovens surdos serviu de base para a investigação. Ao longo do processo, Nader começou a perceber que a aquisição tardia tornava restritas não só as possibilidades comunicativas da criança em alguns círculos sociais, mas também as possibilidades de aprendizagem dos conteúdos veiculados pela língua formal. Outro aspecto levantado pelo trabalho diz respeito à forma caseira de comunicação adotada pelas famílias. De acordo com Nader, a linguagem gestual caseira dificulta a comunicação do surdo fora de seu círculo social mais próximo. Apesar de cumprir um papel no desenvolvimento lingüístico-cognitivo da criança, esse tipo de alternativa tem limitações e não é suficiente para garantir um desenvolvimento cognitivo pleno. Uma história marcada por mitos – A história dos surdos está marcada por mitos e más interpretações.  Surdez foi durante muito tempo sinônimo de deficiência mental e isolamento. “Hoje isso não está na teoria, mas, na prática, muitos são tratados assim, já que lhes são garantidos apenas trabalhos técnicos, raramente acredita-se que os surdos possam dar contribuições intelectuais”, afirma Nader. Para a estudiosa, as limitações cognitivas que alguns surdos apresentam não se devem ao fato de serem surdos, mas sim por não possuírem uma língua. Sobre a inclusão dos surdos na escola regular, Nader acredita que é preciso fazer a inclusão também na aprendizagem e, para isso, os professores têm de estar capacitados. “Se o professor não compartilhar da mesma língua de seu aluno, com certeza a aprendizagem não estará garantida. Não basta apenas uma inclusão social, é preciso haver uma inclusão linguística”, finaliza. (Com informações do Jornal da Unicamp)
Fonte: Blog do Galeno

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