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Estadão destaca livro Plantou palavras, colheu poesias

QUEM FAZ

BIA REIS é jornalista, editora-assistente de Metrópole, mãe de dois moleques devoradores de livros. Ainda guarda as edições de Chapeuzinho Amarelo e Lúcia Já-Vou-Indo que ganhou de seus pais quando criança.
Contato: bia.reis@estadao.com

Quarta-Feira 11/06/14

Premiada com o Jabuti, Socorro Acioli agora faz homenagem à poesia

Escritora conta a história de um homem e um garoto que se aproximam pelas palavras. Do encantamento, nasce a questão que intriga o menino: Como é que se faz poesia?

As palavras que a escritora Socorro Acioli escolhe vêm do fundo da alma – bem do fundo, não há dúvida. São simples, diretas, profundas e transbordam emoção.Plantou Palavra, Colheu Poesia, seu mais recente lançamento, é prova disso.
Nele, Socorro narra a história de Francisco e Antônio. Francisco, conta a escritora, era o mais velho de uma grande família que saiu de longe, num trajeto quase sem fim, até aportar em Assaré. Antônio, morador do local, conhece Francisco e seu pai, também Francisco, nas indas e vindas do trabalho.
Antônio sabe que os dois deixaram um lugar distante em busca da felicidade e decide ajudá-los a encontrá-la. Convida, então, pai e filho para uma reunião em sua casa, para escutar versos e viola. As palavras de Antônio emocionam Francisco e mudam sua vida para sempre.
“Escutar a voz de Antônio fez o coração de Francisco bater forte por causa daquele jeito de dizer as coisas, como se fosse música. Era Antônio, arrumando as palavras, uma depois da outra, falando da vida de outro jeito. Do gado no pasto, da seca, da fome. Dos retirantes que saíam de casa indo sem saber para onde. Era poesia. Os versos de Antônio eram um espelho onde todos se viam mais fortes. Francisco, emocionado, queria entender a mágica daquela noite. Como é que se faz poesia?”
Encantado, Francisco inicia uma jornada em busca de uma resposta.
A escritora entregou para Plantou Palavra, Colheu Poesia referências de sua história. Para Antônio, deu suas lembranças de ouvir repentistas, inventando rimas de improviso, quando criança. E homenageia – de maneira não muito exposta, mas sugerida, como ressalta – Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré.
Outro homenageado é o escritor João Cabral de Melo Neto e seu Catar Feijões. “Francisco olhava os grãos. Fazer poesia deveria ser algo parecido: escolher as boas palavras, tocar com as mãos, aquecer, temperar. E alimentar a alma”, escreve.
A escritora fala do sertão nordestino e descreve, de maneira poética, a viagem da família, a rotina, o trabalho na roça. “Doce é a vida quando tudo dá certo”, diz o narrador da história. E dá um desfecho afetivo e apaixonante.
A caprichosa edição traz ilustrações de Meg Banhos, que revelam a visão e os sentimentos de Francisco. São feitas com recortes e colagens fotografadas. Em perfeita harmonia.
Nascida em 1975, a jornalista cearense escreveu, ao longo de dez anos de carreira, biografias, livros infantis, juvenis e para adultos, além de traduções e adaptações. Suas obras receberam o selo da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil em 2006, 2007 e 2008 e, entre os inúmeros prêmio, ganhou o primeiro lugar do Jabuti na categoria infantil, com Ela Tem Olhos de Céu.
Serviço
Plantou Palavra, Colheu Poesia
Escritora: Socorro Acioli
Ilustradora: Meg Banhos
Editora: Armazém da Cultura
Preço: R$ 35

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