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Em países onde a educação vai bem, professor é valorizado

A primeira reunião internacional de cúpula da profissão de professores (veja aqui site oficial do evento) realizou-se em meados de março passado na cidade de Nova York, organizado pelo Ministério da Educação dos EUA, a OCDE e a Educação Internacional, uma associação internacional de professores.

Todos os 16 países representados eram participantes do Pisa com o desempenho mais alto ou que demonstraram rápidos avanços nas últimas avaliações, tais como Polônia e o Brasil. O propósito da reunião era sondar o que os outros países estão fazendo para incentivar o ensino e a aprendizagem para tentar descobrir o que efetivamente funciona nesse setor.

Como será que os países mais bem sucedidos do Pisa gerenciam o ensino para obter esses bons resultados?

Segundo os representantes dos governos e associações profissionais de ensino nos países de desempenho mais alto do Pisa, a profissão de professor atrai os mais bem-sucedidos alunos formados em cada geração, aplicando os critérios mais exigentes para assegurar os recrutas mais fortes para seus programas de treinamento docente.

Por exemplo, na Finlândia, apenas 1 em cada 10 candidatos entra na profissão depois de cumprir um processo rigoroso de seleção em múltipla etapas que visa recrutar apenas os mais bem qualificados.

A seleção dos professores não se baseia apenas na sua competência cognitiva, mas dá igual importância a seu potencial de liderança, seus valores éticos, disposição para ensinar e sua habilidade e capacidade de comunicar e de se relacionar bem com outras pessoas.

Uma vez que os recrutas dos países de maior desempenho no Pisa entram na profissão, eles participam em média de quinze horas por semana na observação das salas de aula, na colaboração com colegas e em atividades profissionalizantes a longo prazo.

Onde a proficiência dos alunos é mais alta, os professores têm ampla autonomia no desempenho de suas atividades didáticas para alcançar alunos com diversos estilos de aprendizagem. Mesmo nos países com fortes ministérios de educação e currículos nacionais, as escolas e os professores têm liberdade ampla para organizar o ensino de forma que coadune com seus estilos individuais e para satisfazer as necessidades específicas dos alunos com os quais trabalham.

Esses professores apreciam essa autonomia como emblema de seu profissionalismo, o que sustenta a estima e o respeito na comunidade. Nos países onde os alunos recebem os melhores resultados nos testes padronizados internacionais, a remuneração dos professores se encontra no nível dos salários dos engenheiros, médicos e outros profissionais.

No entanto, nenhuma fórmula única cabe a todos. Por exemplo, em Cingapura, os alunos que ser tornarão professores vêm dos 30% mais proficientes do ensino médio. Eles recebem salários competitivos para assegurar que esses egressos mais competentes não migrem para outras profissões igualmente bem remuneradas.

Existem um elenco de oportunidades de careira contínuas e de largo horizonte para professores dentro das salas de aula, como pesquisadores nas diversas áreas de material curricular e na gerência e administração de docentes. A avaliação e a recompensa dos professores apoiam as metas de atrair para a profissão os melhores, prepará-los com o melhor treinamento e experiência, oferecendo apoio para aprimorar o ensino e incentivar seu melhor desempenho.

Uma parte substancial da recompensa financeira dos professores em Cingapura, entre 10% e 30%, é baseada no seu desempenho, e essa parcela aumenta com o número de anos na profissão.

O verdadeiro impacto de um evento como esse dependerá efetivamente do que se fizer a partir do que foi ouvido. Isso requer um esforço consultivo entre todos que estiveram presentes e um compromisso de diálogo respeitoso para enfrentar os desafios difíceis, porém necessários, que o Brasil deve enfrentar para alcançar o patamar dos países de alto desempenho na educação.

Philip Fletcher é membro do conselho consultivo da Avalia Educacional, empresa de avaliação de escolas e sistemas de ensino do grupo Santillana. No Brasil, foi consultor do Ministério da Educação e assessor da Fundação Carlos Chagas, em trabalhos com o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica).

Fonte: Jornal Folha de S.Paulo

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