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Edney Silvestre: ‘Nós, escritores, seremos eternos devedores da internet’

Publicado originalmente no IG

Escritor fala ao iG sobre seu novo livro, “A Felicidade É Fácil”, e conta que já teve romances rejeitados

Apaixonado por literatura, o jornalista Edney Silvestre teve contato com autores renomados – como os premiados com o Nobel José Saramago e Mario Vargas Llosa, e os imortais João Ubaldo Ribeiro e Lygia Fagundes Telles – ao apresentar o programa “Espaço Aberto Literatura”, exibido na Globonews desde 2002.

Depois de décadas atuando na cobertura do universo literário, Edney debutou como autor em 2009, com o romance “Se Eu Fechar os Olhos Agora”. O sucesso da estreia rendeu a ele o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria autor estreante e o Prêmio Jabuti 2010 de Melhor Romance.

O escritor e jornalista Edney Silvestre lança seu segundo romance, “A felicidade é fácil”

Ainda em 2010, o autor viu sua obra envolvida na polêmica que culminou na mudança de regras do Prêmio Jabuti, após a entrega do Livro do Ano para “Leite Derramado”, de Chico Buarque – segundo colocado na categoria Melhor Romance em 2010.

Capa do romance “A felicidade é fácil”

iG: Seu primeiro livro de ficção, “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, foi lançado quando o sr. tinha 59 anos. Por que a demora em começar a carreira de escritor?
Edney Silvestre: “Se Eu Fechar os Olhos Agora” é meu primeiro romance publicado, mas não o primeiro romance que eu tinha escrito. Outros dois anteriores foram para o lixo, um rejeitado por um editor, outro que eu mesmo descartei. Descobri que estou em boa companhia, entre autores de estreia tardia: Cervantes, Joseph Conrad, Charles Bukowski, Henri-Pierre Roché, entre outros.

iG: Pretende escrever outros livros? Já existem ideias para os próximos trabalhos?
Edney Silvestre: “Se Eu Fechar os Olhos Agora” é meu primeiro romance que chegou às livrarias. Mas não meu primeiro livro publicado. Antes dele saíram “Dias de Cachorro Louco” e “Outros Tempos”(pela Editora Record), “Contestadores” (Ed. Francis), além de “Milênio”, “As Grandes Reportagens do Fantástico”, “As Grandes Entrevistas de O Globo”, volumes um e dois (Ed. Globo). No momento trabalho na construção de um novo romance e de um livro de contos.

iG: A ideia de “A Felicidade É Fácil” era antiga? De onde ela veio?
Edney Silvestre: “A Felicidade É Fácil” partiu de uma situação real, acontecida naqueles tempos que descrevo no romance: o sequestro, por engano, de uma criança, em São Paulo. Foram dois anos de trabalho contínuo, desde 2009, mas as pesquisas eu vinha fazendo desde 2002.

iG: Por que escolheu a era Collor para ambientar “A Felicidade É Fácil”? O sr. estava no Brasil naquela época?
Edney Silvestre: Não só estava, como sofri – como outros milhões de brasileiros – o impacto da retenção do que eu tinha em conta bancária. Sempre quis escrever sobre aqueles tempos sombrios que, por outro lado, despertaram nos brasileiros a vontade de lutar por uma sociedade mais justa e mais honesta.

iG: Qual é a sua relação com os personagens da história?
Edney Silvestre: A ficção é composta pelo que vimos, ouvimos, vivemos e imaginamos. É preciso uma boa dose de empatia para poder compor personagens que, muitas vezes, fazem e agem de forma que nós, autores, nunca faríamos.

iG: Já pensou em largar o jornalismo e se dedicar exclusivamente à literatura?
Edney Silvestre: Deus me livre. Se há um lugar em que me sinto bem é numa redação.

Agora Edney lança “A Felicidade É Fácil”, livro em que aborda o sequestro de uma criança ocorrido em plena era Collor. Em entrevista ao iG, o escritor e jornalista fala sobre a escolha do tema do novo trabalho, sua postura diante da polêmica do prêmio Jabuti e a certeza de não abandonar as redações pela vida de escritor.

iG: Como o sr. avalia a experiência de mudar de lado: sair da posição do jornalista para a de escritor de ficção?
Edney Silvestre: Não mudei de lado. Nem pretendo.

iG: Como é a sua relação com a crítica?
Edney Silvestre: Devo a um crítico, Manuel da Costa Pinto, a reviravolta da visão sobre meu trabalho. Se não fosse pelos elogios que ele fez a “Se Eu Fechar os Olhos Agora” no jornal Folha de S.Paulo, talvez meu primeiro romance nunca viesse a ser descoberto pelos leitores. E eu não estaria dando esta entrevista.

iG: O que o sr. acha dos prêmios de literatura?
Edney Silvestre: A chancela de dois prêmios respeitados, como é o caso do Prêmio São Paulo de Literatura e do Prêmio Jabuti, sem dúvida chamaram a atenção do público leitor para “Se Eu Fechar os Olhos Agora”.

iG: Como o sr. avalia hoje a polêmica envolvendo seu primeiro livro e “Leite Derramado”, de Chico Buarque, no Prêmio Jabuti de 2010?
Edney Silvestre: Na época fiquei chocado e preferi adotar a posição que adotei: sou um escritor, meu papel é escrever, não discutir se uma premiação foi absurda ou não. Preferi me calar. Hoje vejo que agi corretamente. A organização do prêmio reviu as regras, a literatura brasileira saiu vencedora.

O escritor Edney Silvestre durante sua participação na Flip 2011: “Foi bacana, me senti lisonjeado”

iG: Como foi participar da Flip?
Edney Silvestre: Participo da Flip desde a primeira versão, como jornalista que cobre cultura. Este ano troquei de lado. Foi bacana, me senti lisonjeado. Mas já estarei de volta, no próximo ano, novamente como jornalista.

iG: O sr. lê bastante? Quais autores novos o sr. recomendaria?
Edney Silvestre: Leio muito. Há quatro belos livros publicados recentemente, que aconselho com entusiasmo: “O Senhor do Lado Esquerdo”, de Alberto Mussa; “Domingos sem Deus”, de Luiz Ruffato; “Traduzindo Hannah”, de Ronaldo Wrobel; “Dois Rios”, de Tatiana Salem-Levy.

iG: A internet aumenta ou diminui o interesse dos jovens pela literatura?
Edney Silvestre: Nunca se leu tanto. Nunca se divulgou tanto literatura: em blogs, em sites, nas redes sociais. Os jovens lêem, falam de livros, escrevem. Nós, escritores, seremos eternos devedores da internet.

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