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É possível calcular quantas palavras surgem por dia na Língua Portuguesa?

Ieda Maria Alves, professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da USP, diz que acredita ser impossível precisar quantas palavras são criadas por dia em uma certa língua. “É muito complicado fazer essa conta, pois novas palavras são criadas diariamente e em algumas áreas, com mais movimentação e criatividade de conceitos, há mais palavras novas do que em outras”, afirma. Um exemplo que a linguista dá é a área de tecnologia. Como há o desenvolvimento constante de novidades, também há novas palavras para dar nome a essas tecnologias. Por exemplo, há 40 (e tantos) anos, não existiam vocábulos como computador, clonagem ou blog.

Outro problema para precisar a velocidade de criação de novas palavras é que, ao mesmo tempo em que várias surgem todos os dias, muitas delas também deixam de existir logo em seguida. Para que uma palavra sobreviva, é preciso que ela entre para o vocabulário de outras pessoas. “Uma palavra pode ser inventada por uma pessoa sem influência, que não tem repercussão na mídia, que não escreve e desaparecer. Se ela não for repetida, não permanece”, argumenta Ieda Alves. A linguista ainda lembra que muitas palavras são inventadas em obras literárias, como nos livros de Guimarães Rosa. Nesses casos, as palavras não costumam ser repetidas por outras pessoas, mas se o livro tiver repercussão, as palavras continuam a existir porque estão registradas em livros e são lidas por muitas pessoas. Outro caso muito comum é de palavras que deixam de existir por falta de uso e até podem ser retiradas dos dicionários. Assim, para precisar quantas palavras existem em uma língua é preciso levar em conta que novas palavras surgem diariamente, mas que muitas outras também deixam de existir.  Segundo Ieda Alves, o número de vocábulos que realmente existem é um pouco maior do que as publicadas nos dicionários. “Se levarmos em consideração as palavras técnicas e científicas, devem existir cerca de 600 mil palavras na língua portuguesa”, estima. A especialista ainda lembra que conjugações verbais e plurais não entram nessa conta, só é considerada a forma infinitiva.

Adaptado do texto de Paula Sato, publicado na revista  NOVA ESCOLA

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