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Crônicas da aldeia, de Lira Neto, em matéria no DN

“Temos excelentes cronistas no jornalismo brasileiro”

 

Como surgiu “Crônicas da aldeia”, que você vai lançar dia 8, na Bienal do Livro do Ceará?

As crônicas reunidas no livro foram publicadas originalmente no Diário do Nordeste, entre o fim de 2009 e o início de 2010. Eu havia então acabado de lançar a biografia de Padre Cícero pela Companhia das Letras e começava a me preparar para o próximo projeto editorial: biografar Getúlio Vargas. Exatamente por causa da pesquisa para escrever os três livros sobre Getúlio – que, pela magnitude da obra, me exigiu trabalhar em regime de dedicação exclusiva – tive que, infelizmente, suspender a colaboração semanal com o jornal. Mas sempre nutri grande carinho por estes textos. Por isso mesmo fiquei extremamente feliz quando recebi o convite do Armazém da Cultura para reeditá-los em forma de livro.

Que lugar estes textos ocupam no conjunto de seu trabalho?

Quando os escrevi, já havia publicado as biografias de Rodolfo Teófilo (EDR, 1998), “Castello Branco” (Contexto, 2004), “José de Alencar (Globo, 2006), Maysa (Globo, 2007) e Padre Cícero (Companhia das Letras, 2009). Portanto, já tinha uma carreira razoavelmente consolidada como autor de livros. Sem dúvida, os três volumes sobre Getúlio alcançaram um êxito comercial e uma recepção da crítica extremamente positiva, mas desde que saí de Fortaleza, em 2001, já havia planejado fazer a migração gradual do jornalismo cotidiano para o ofício de escrever reportagens históricas em forma de livros biográficos.

A descoberta do Lira Neto escritor se deu pelo gênero da crônica?

Na verdade, penso que experimentei, de certa forma, o caminho inverso. Ao me consolidar como autor de livros, senti uma certa nostalgia de voltar a escrever para jornal, o que sempre permite uma comunicação mais instantânea e direta com os leitores.

Como você avalia o estado atual da crônica. É um gênero jornalístico que parece estar em um processo de migração, do jornal e da impressa diária, para a internet. Como você analisa essa transição?

Temos uma tradição de excelentes cronistas no jornalismo brasileiro – e, também, cearense. Creio que isso, em termos nacionais, continua sendo um fenômeno forte e eloquente. Nomes surgidos mais recentemente, como Antônio Prata e Gregório Duvivier, por exemplo, atestam que o gênero sempre se renova e continua a seduzir novos e velhos leitores. Infelizmente, não acompanho a imprensa cearense com a assiduidade que gostaria. Mas lamento profundamente a perda de um gigante da crônica em Fortaleza, o meu grande amigo Airton Monte.

Em “Crônicas da Aldeia”, você fala de tudo. Foi difícil organizar os textos?

O trabalho de seleção e organização dos textos foi feito pela própria editora. Sugeri apenas que dessem preferência àqueles textos que, mesmo motivados por assuntos pontuais pinçados do noticiário da época, mantivessem por acaso algum frescor e alguma pertinência jornalística cerca de quatro, cinco anos depois. Esta é, aliás, uma das maravilhas da crônica: é jornalismo de momento, é narrativa do cotidiano, mas é também, ao mesmo tempo, um olhar atemporal sobre as coisas e os fatos que nos rodeiam.

Ao preparar o livro e reencontrar estas histórias que escreveu nas crônicas, você teve a sensação de voltar um pouco no tempo?

Revisitar textos escritos anos atrás sempre produz sensações interessantes, um misto de memória e estranhamento. Você ri de episódios dos quais nem lembrava mais com alguma nitidez, emociona-se com recordações de um passado recente, sente um certo desejo de reescrever uma frase, um parágrafo, torná-los mais escorreitos, mais fluentes, mais atuais. Resisti, porém, à tentação de mexer em uma única vírgula que fosse. Do contrário, seria como retocar com photoshop uma fotografia do álbum familiar, colorizar um filme originalmente rodado em branco e preto. Soaria fake.

XI Bienal do livro

Autor comanda mesa-redonda sobre biografias

O ano de 2014 foi de consolidação da carreira do escritor e jornalista cearense Lira Neto, tanto em termos de reconhecimento da crítica especializada quanto de sucesso editorial. Desde sua estreia, em 1998, com a biografia de Rodolfo Teófilo, a consagração veio com a trilogia “Getúlio”, trabalho de fôlego, que arrebatou os prêmios Jabuti e da Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca), categoria biografia, deste ano. Terça-feira, às 18h, ele volta a Fortaleza, cidade retratada em alguns textos do “Crônicas da Aldeia”, cujo lançamento acontece no Café Literário, evento faz parte da programação da XI Bienal Internacional do Livro do Ceará. A publicação reúne crônicas publicadas, originalmente, no Diário do Nordeste, entre os anos de 2009 e início de 2010. O autor é um dos convidados da mesa-redonda sobre biografias, que acontecerá segunda, às 15h. A mediação será da escritora Socorro Acioli e contará com a presença, ainda, do jornalista Mário Magalhães.

*Lira Neto é escritor e jornalista

Iracema Sales
Repórter

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