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Como a inclusão digital será feita nas escolas brasileiras?

Um dos destaques do II Congresso do Livro Digital, organizado pela CBL em São Paulo, foi a palestra de , do Publishing Perspectives. Após citar números do mercado de e-books lá fora, Ed entrou na nossa seara e se entusiasmou: “O governo brasileiro, que faz compras substanciais de livros para escolas de todo o país, anunciou que vai começar a comprar ‘conteúdo digital’ em 2014 — o que pode ser chamado de ‘Dia D’”.

Embora as estatísticas nessa área por ora só sejam relevantes nos Estados Unidos, é compreensível que uma notícia dessas assombre os gringos. Afinal, não é todo dia que um player do tamanho do governo federal entra no jogo – e mesmo que o impacto imediato seja apenas nos livros didáticos (textbooks, na palestra de Nawotka), é de se esperar que esse contato precoce com o livro digital influencie os hábitos de leitura da população jovem a médio e longo prazo.

Em outras palavras, livro didático digital na escola pública pode querer dizer um mercado significativo para outros tipos de e-books no futuro – e esse futuro pode nem estar tão distante assim!

O X da questão

O que não entrou na equação de Nawotka é COMO essa inclusão digital será feita nas escolas brasileiras.

Várias pesquisas têm demonstrado que a mera inserção de equipamentos tecnológicos no ambiente escolar não melhora o desempenho dos estudantes. Uma das mais recentes foi o sexto relatório do PISA 2009, intitulado Students On Line – Digital Technologies and Performance.

Com foco na capacidade de leitura de estudantes de 15 anos em 19 países, o relatório lançado no fim de junho diz que “a sua maior surpresa talvez seja a falta de uma relação clara entre a frequência de uso das TICs na escola e a performance de leitura digital dos alunos”. E acrescenta: “O uso das TICs na escola não esteve positivamente associado às habilidades de navegação nem de leitura (…)”.

Essa conclusão pode ser chocante, mas não é nova. O mais curioso é um segundo dado: “Ao examinar a relação entre a performance de leitura digital e o acesso a computadores na escola ou em casa, viu-se que o acesso caseiro se relacionou positivamente com a performance, enquanto o acesso escolar não”. Essa relação é válida em 16 dos 19 países, inclusive quando se leva em consideração a origem socioeconômica dos alunos.

Embora o relatório faça ressalvas sobre as próprias conclusões, não deixa de ser alarmante. Se as TICs na escola não têm feito diferença em habilidades como navegar por algumas páginas e compreendê-las, o que o PISA vai encontrar quando avaliar as áreas de matemática (2012) e ciências (2015) com “ênfase na capacidade de ler e entender textos digitais e de resolver problemas apresentados em formatos digitais”?

E mais: se estudantes de 15 anos estão desenvolvendo certas habilidades mais em casa do que na escola, o que isso nos diz sobre o ensino de hoje?

Pistas para a escola do século XXI

A parte boa é que o próprio relatório dá pistas de como resolver o problema. Vou resumir aqui algumas das principais:

– Outras políticas e práticas escolares interagem com as relações observadas; é preciso levar em conta todos os fatores que influenciam a eficácia do uso de TICs na escola

– Uma análise aprofundada deve caminhar mais na direção da qualidade do que na da frequência desse uso; um exemplo seria oferecer mais atividades baseadas em projetos, que permitam aos alunos explorar várias abordagens na resolução de problemas, como já fazem sozinhos em casa

– Se as TICs não forem parte essencial do projeto pedagógico da escola, é improvável que os professores se motivem a investir no uso delas

– Se os professores tiverem oportunidades adequadas para se desenvolver no uso de TICs, ficarão mais propensos a integrá-las de modo efetivo e regular às suas práticas de ensino

Fonte: Blog do Galeno

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