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Casa de José Saramago é aberta para visitação

Em algum lugar entre a África e a Espanha, Camões ainda guarda fielmente a casa de seu dono recentemente falecido. Ele era o cachorro preferido de José Saramago, e ao lado de Boli acompanha os visitantes que têm aparecido com mais frequência desde que Pilar del Río resolveu abrir para visitação a casa onde viveu por 18 anos com o escritor português, localizada no povoado de Tías, em Lanzarote. Durante a visita, que tem duração de aproximadamente uma hora e inclui a biblioteca do casal, os guias contam, em detalhes, a rotina do escritor e a história de boa parte dos quadros, livros, fotos e estátuas que estão ali.

Um aviso aos brasileiros: as Ilhas Canárias não são tão inacessíveis quanto parecem a uma primeira olhada no mapa e se você é fã de Saramago não deixe de ir a Lanzarote quando estiver na Europa. A Ryanair cobra cerca de 60 euros pela passagem de ida e volta a partir de Madri. E tem ainda o Parque Timanfaya com seus vulcões, as praias com o aquele mar turquesa e verde, as tapas e cerveja gelada (rara em outros países europeus) para completar o dia, ou o fim de semana. Resumindo, vale a visita.
Uma vez lá, alugue um carro para poder percorrer toda a ilha (são 60 km de comprimento e 20 de largura) e economizar um pouco. Um taxi do porto da Playa Blanca até Tías, por exemplo, custa cerca de 32 euros, sem contar a volta. O aluguel de um carro por 24 horas sai por 40 euros. E nem precisa de ar condicionado. Parece que tem um ventilador ligado 24h por dia naquela ilha, tal como aparece no filme Pilar e José.
Quando Saramago se mudou para Lanzarote no começo dos anos 90, ele tinha acabado de escrever o polêmico O evangelho segundo Jesus Cristo, muito criticado em Portugal. Durante uma viagem às Ilhas Canárias, o casal decidiu que viveria ali e começou a construir essa casa. Anos mais tarde, depois do Nobel, seus livros ganharam uma casa própria. São esses dois espaços vizinhos que os fãs do escritor têm agora a chance de conhecer. E visitando seu escritório, sua cozinha, seu quintal vai-se entrando ainda mais em seu universo. Durante a visita, por exemplo, aprende-se que Saramago era um bom colecionador: estátuas de cavalos e de elefantes, pedras trazidas de viagens, jarras, quadros, livros, Quixotes… tudo está ali para contar a história de seu dono.
A casa
Diferente de visitar museus instalados em casas de escritores célebres, o que a visita à casa de Saramago mostra é um ambiente vivo, ainda com traços da passagem dele por ali. Neste primeiro mês de visitação, 9 meses após a morte do escritor, a geleia de laranja na cozinha ainda não devia ser cenográfica.
Na sala de entrada, onde passam o dia Camões e Boli e de onde eles partem animados ao primeiro sinal de porta aberta, fica o tapete de pedra vulcânica de que Saramago tanto gostava, além de quadros e gravuras de César Manrique, David de Almeida, Rogério Ribeiro, Ildefonso Aguilar, Bartolomeu dos Santos e outros artistas. Na estante, o relógio está parado às 4 da tarde, a hora em que José conheceu Pilar. Ali estão também sua coleção de cavalos e a estátua de uma família africana adquirida em uma de duas viagens àquele continente.
Foi no escritório, que fica logo ao lado dessa sala da entrada, que ele escreveu Ensaios sobre a cegueira e os livros (ou parte deles) que vieram depois. Ele costumava trabalhar por lá até sua biblioteca ser construída do outro lado da rua. O rádio permanece ligado tal como ficava quando Saramago estava na sala e ao som de música clássica o visitante percorre os porta-retratos com fotos da família. A frase dita pela avó quando ela percebeu que sua vida estava chegando ao fim e guardada pelo escritor é contada aos visitantes pela guia Pepa Sanchez: “Tenho tanta pena de morrer porque a vida é tão bonita”. A avó e o avô, que era o homem mais inteligente que conheceu segundo seu discurso na cerimônia de entrega do Nobel, estão ali retratados ao lado dos pais de Saramago, de sua filha e de seus netos.
No canto do escritório, Saramago fez uma espécie de altar para seus escritores preferidos: Cervantes, Pessoa, Kafka, Lorca, Tolstoi, Joyce e Proust. Do outro lado, a foto tirada por Sebastião Salgado do casal em Timanfaya. Em outra parede, uma cópia do diploma do Prêmio Nobel, de 1998. Sobre a mesa, o computador, um livro, um crucifixo, um postal com uma imagem do rosto de Cristo, uma foto de Pilar, claro, e outros objetos.
Ao lado do escritório está a sala de descanso, com quadros inspirados em seus livros. O maior deles, do pintor português Santa-Bárbara, traz uma cena de Memorial do convento e brinca com Velasquez ao colocar Saramago de espectador da cena, tal como o pintor espanhol se colocou no quadro “As meninas”. Uma “cadeira do papai” salmão, de onde às vezes escrevia seu blog, uma televisão, sofás, seu gravador e a caixa dos óculos completam o ambiente.
O quarto é o único cômodo onde o visitante não entra. Da porta, isolada por uma faixa, vê-se o lugar onde o escritor morreu na manhã do dia 18 de junho de 2010. Os dois últimos espaços abertos para visitação são a cozinha, o lugar de convivência e de encontro e onde Saramago recebeu Bernardo Bertolucci, Susan Sontag, Carlos Fuentes, Eduardo Galeano, Mário Soares, Zapatero, Sebastião Salmago, María Kodama e tantos outros amigos, e o quintal, com suas oliveiras trazidas de Portugal e a belíssima vista para o mar. A oliveria, aliás, foi o símbolo escolhido para o logotipo da “Casa”. Nessa hora, os visitantes são convidados para um café.
A biblioteca
Desde que a “casa dos livros” ficou pronta do outro lado da Calle de Tegalla, em 2004, era lá que Saramago passava as manhãs. Relia o que tinha escrito no dia anterior, corrigia pouco e recomeçava, pausadamente, a escrever. Na antessala, o serviço de catalogação dos livros seguia normalmente. A biblioteca é organizada por critérios pessoais: ele escolheu o país de origem de seus autores. Já Pilar resolveu que os livros escritos por mulheres ficariam todos juntos. Para ela, tais autoras, por não terem sido respeitadas por seus pares, não deveriam ficar ao lado deles na estante de sua casa. Saramago não concordou, mas respeitou a decisão dela.
Nas prateleiras que abrigam os autores brasileiros estão obras como Angústia, de Graciliano Ramos; Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro; Antologia poética, de Vinicius de Moraes; Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa; Erundina – A mulher que não veio com a chuva, de José Neumanne Pinto; e outros mais curiosos, como um livro escrito por Jefferson Del Rios sobre a pequena cidade paulista de Ourinhos. E ainda: Jorge Amado, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Fonseca, Moacyr Scliar, Dráuzio Varella, Carlos Nejar, Ignácio de Loyola Brandão, Claufe Rodrigues e a coleção completa de Chico Buarque.
Na biblioteca há também uma sala de reuniões que acabou sendo mais usada para refeições, por ser maior que a cozinha, do que para encontros de trabalho propriamente ditos. Os últimos convidados que passaram por ali foram os escritores Claudio Magris e Vargas Llosa, acompanhados por suas esposas.
No andar de cima, fechado para visitação, há um quarto que deve virar uma espécie hospedaria de escritores. A contrapartida é que façam uma palestra na Fundação César Mairinque, ali na ilha. Maria Kodama já se hospedou e aproveitou para falar sobre Borges.
A visita termina na lojinha, onde são vendidos livros, camisetas e bolsas com frases de Saramago, postais e um livreto, em português ou espanhol, que conta sobre a relação do escritor com sua casa.
Para ver fotos da casa, clique aqui, e para ver fotos da biblioteca, clique aqui.
“A casa”
Calle de Tegalla, 1
Tías – Lanzarote – Las Palmas/Espanha
Tel. 34 928833053
Entrada: 8 euros

www.acasajosesaramago.com (em construção)

Fonte: Publishnews

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