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Capitão Rapadura: humor bom, aos 40!

QUADRINHOS

Capitão Rapadura: humor bom, aos 40!

24.11.201

Autêntico super-herói cearense, o personagem de Mino completa 40 anos e ganha edição coletiva em livro 

Umherói de calças curtas e chapéu de couro. Bom moço, traz um CR no peito, símbolo de seus super poderes, é avesso ao uso da força bruta e está sempre preocupado em dar exemplo. Eis o invocado Capitão Rapadura. O autêntico super-herói sertão, completa, em 2013, 40 anos, de sua estreia nos quadrinhos. Apelando sempre, para renovar sua coragem, sua devoção ao Padim Ciço, aos dotes nutricionais da rapadura e ao humor do povo que representa, nosso quarentão mostra estar ainda determinado em seguir na luta contra os males e manter-se firme em meio ao cenário de adversidades que ronda o mercado nacional de HQs.
Mino misturou referências
estrangeiras e locais para criar o herói
FOTO: ERIKA FONSECA

Cria do cartunista Hermínio Macêdo Castelo Branco, o Mino, o personagem é um dos raros super-heróis genuinamente brasileiros. E é, de fato, o primeiro cearense, tendo influenciado gerações de artistas do Estado. Parte deles, responsável pela pulsante cena dedicados à nona arte na cidade, retribuiu a inspiração, homenageando o personagem no livro “Capitão Rapadura – 40 anos”.A obra reúne versões do personagem assinadas por 25 artistas, além da reprodução de uma história clássica e a cronologia da trajetória do super-herói de Mino. “Diante da realidade que nós vivemos, do mundo de possibilidades que temos que enfrentar, é uma obra prima. Revela um trabalho de equipe, um movimento que tem por trás disso. Marca a presença de uma produção cultural de desenhistas cearenses que está resultando em coisas maravilhosas”, entusiasma-se Mino, agradecendo à maneira espontânea com que os autores se reuniram para homenagear o personagem.

Trajetória

A criação do Capitão Rapadura, lembra, aconteceu de maneira despretensiosa. Sua primeira aparição aconteceu em uma das sessões de seu “Almanaque do Mino”, em 1973, sob o título “Capitão Rapadura contra o Peba da Aldeota”. Era uma sátira à buraqueira que estava instaurada nas ruas do bairro. O nome tem inspiração no uso já corrente na fase de ouro das HQs norte-americanas – a exemplo do Capitão América, Capitão Marvel. Vale lembrar que a patente, no contexto sertanejo, também foi dirigida a Lampião. Para Mino, ela remete ainda aos famosos bolinhos de arroz e feijão, amassados com a mão, de nossa tradição alimentar indígena. E o Rapadura, explica, como elemento de forte identificação cultural do cearense. Alimento, que também tem correspondência ao tonificante espinafre do marinheiro Popeye, já que era a fonte dos poderes do personagem cearense.

O Capitão Rapadura, o mais famoso super-herói cearense, no traço de seu criador

“Recebemos a influencia de fora e temos nosso regionalismo. A junção disso é fantástica. Esse foi um nome inspirado, mas todas essas ligações foram pensadas depois. O nome já estava criado e só então fui ver a riqueza. Mexi numa coisa que não sabia”, confessaMino.

O personagem passou por mudanças que vão do traço – segundo Mino, até hoje em aberto, sujeito ao estilo pessoal de quem o desenha – à sua identidade secreta, que chegou a ser revelada como Gumercindo, mas que Mino, diz estar esperando a oportunidade certa para lançar a história em que o real nome do herói virá à tona.

Retomada

O Capitão Rapadura, após duas publicações inaugurais na década de 1970, explica Mino, permaneceu alguns anos na sua mesa de cabeceira, esperando um momento para voltar às ruas. O contexto nacional para produção de HQ, explica, nunca foi propício para sua circulação periódica. Na época em que foi criado, lembra, não havia quase ninguém trabalhando na área em Fortaleza e, nacionalmente, os quadrinhos nacionais passavam por uma crise: publicar material de fora era mais barato. “Tínhamos duas grandes referências: o ´Pererê´, do Ziraldo, e a ´Turma da Mônica´, do Mauricio de Sousa. Dizia-se que HQ nacional era impossível. Perguntaram ao Maurício como ele fez, já que era ´impossível´, e ele disse que só fez porque não sabia disso”, relembra a precariedade da época.

Foram quase 20 anos fora de catálogo, segundo Mino, período em que permaneceu procurando um traço definitivo ao personagem. O herói voltou apenas em 1996, já contando com a ajuda e o entusiasmo de quatro quadrinistas de uma geração seguinte: J.J. Marreiro, Geraldo Borges, Daniel Brandão e Valdijunio Rodrigues, que com Mino formavam a Rapaequipe. Juntos eles publicaram mais 15 edições do revista do Capitão Rapadura, produzidas até 1998.

“Essa possibilidade de retomar a publicação, agradeço à Oficina de Quadrinhos da UFC, comandada pelo professor Geraldo Jesuino. De lá, vieram os desenhistas, o ´Quinteto Rapadural´”, lembra. A período foi marcante para o personagem. “Em todo lugar que eu chego, a primeira coisa que perguntem é sobre Capitão Rapadura”, diz Mino.

Cinco anos depois da experiência da revista, o personagem chegou às páginas do Diário do Nordeste. A tirinha do personagem é publicada no caderno Zoeira. Para a celebração de seus 40 anos, antecipa Mino, além do livro em sua homenagem, o personagem ganha ainda a “Folha do Capitão”, publicação em formato de jornal, que começa a circula já esta semana. “A proposta é que participem do jornal todos os quadrinistas do Ceará”, detalha a ideia.

FÁBIO MARQUES
REPÓRTER

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