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Bagagem cultural é mais cobrada nos vestibulares

A temporada de estudos na França proporcionou a Juliana Pacetta, de 20 anos, jornadas culturais diferenciadas, como visitas ao Museu do Louvre, um dos maiores do mundo. No retorno ao Brasil, a estudante percebeu o quanto a bagagem cultural ganhou importância nos vestibulares do País, que transformaram o conhecimento de obras de artes plásticas e filmes em conteúdos obrigatórios.

Juliana passou os últimos dias comemorando a conquista do primeiro lugar no processo seletivo do curso de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Nos últimos quatro meses, além da FGV, “questões culturais” também foram cobradas de vestibulandos da Fundação Cásper Líbero e da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), por exemplo.

A ideia é testar a visão de mundo dos candidatos, exigindo conhecimentos culturais que extrapolem o domínio das disciplinas tradicionais do ensino médio. Em geral, por meio de itens interdisciplinares, são testados conhecimentos sobre música e artes plásticas, cênicas e audiovisuais – algo que uma jornada cultural pode transmitir mais facilmente que uma aula tradicional.

“Queremos alunos diferenciados, que deduzam, reflitam, contextualizem”, diz o diretor do vestibular da Faap, Jorge Miguel. “A bagagem cultural pode indicar o potencial do aluno.” Por lá, candidatos a vagas em Administração, por exemplo, deveriam conhecer o filme Cidade do Silêncio (2006).

O potencial de Juliana rendeu a ela uma bolsa integral de um ano no ato da matrícula na FGV, prêmio pelo destaque no vestibular. “Com certeza, as experiências vividas no exterior e o contato com a cultura foram fundamentais”, diz.

Peso maior. Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Ocimar Munhoz Alavarse vê como positiva a exigência do “saber cultural” nos vestibulares. “No Brasil, há uma tradição curricular muito forte e algumas disciplinas passaram a ganhar mais peso.”

Alavarse ressalta, porém, que o acesso à cultura não é universal e a avaliação da bagagem cultural pode ser um critério desigual em razão das diferenças socioeconômicas. “Mas o currículo (de uma avaliação) é sempre arbitrário e depende dos critérios do avaliador.”

Ao exigir em sua prova a interpretação e a contextualização de obras como Bicho, de Lygia Clark, e Banhista Enxugando a Perna Direita, de Renoir, a coordenadora do curso de Direito da FGV, Adriana Ancona de Faria, diz selecionar candidatos com a formação ideal para a instituição. “É a capacidade analítica que é avaliada, habilidade que será cobrada no curso e na vida profissional”, afirma.

Foi essa proposta que atraiu Isabella Becker, 21 anos, aluna de Direito da FGV. “O vestibular indicou que buscavam alunos flexíveis, com capacidades e habilidades além do conteúdo aprendido em sala de aula”, lembra.

Coordenador de vestibular da Cásper Líbero, Roberto Chiachiri crê que a capital dá ao estudante a chance de uma “formação universal”. Vestibulando da Cásper, Eduardo Nattanael, 17 anos, corre em busca disso. “Não consegui (passar no vestibular), mas foi a primeira tentativa. Percebi a importância da bagagem cultural. Quem conhece é capaz de aprofundar mais nas questões relacionadas a obras de arte, peças de teatro e filmes.”

Fonte: Estadão

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