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Além do Arco-íris , adaptação de O Magico de Oz, no Engenhoca Parque

Obra “Além do Arco-íris” será lançada amanhã (16), em Aquiraz (CE), com apresentação teatral

12:59 · 15.07.2016

A peça teatral sobre “O Mágico de Oz” e o autor Marcelino Câmara Gomes: trabalho de inovação da clássica obra da literatura infantil. ( Fotos: Divulgação )

“Quando estava na metade do caminho, ouviu-se um grito fortíssimo do vento e a casa sacudiu com tanta força que Dorothy perdeu o equilíbrio e caiu sentada no chão. E então uma coisa muito estranha aconteceu. A casa rodopiou duas ou três vezes e começou a levantar voo devagar. Dorothy teve a sensação de que subia no ar a bordo de um balão”.

O trecho em que a protagonista de “O Mágico de Oz” é levada com a família para a mágica terra mencionada no título da obra, já é conhecido, e continua a encantar crianças, jovens e adultos, tamanho o fôlego presente nessa que é uma das mais celebradas histórias da literatura infantil.

Inspirado, então, pelas inventivas aventuras narradas pelo americano L. Frank Baum – lançadas originalmente em maio de 1900 –, o escritor cearense Marcelino Câmara Gomes tomou para si a missão de conferir uma nova roupagem ao clássico mundial. Assim nasceu “Além do Arco-íris”.

O livro, publicado pela Editora Armazém da Cultura e disponível no valor de R$ 30, será lançado amanhã (16) e no dia 24, no Engenhoca Parque Ecoeducativo, em Aquiraz (CE), às 14h30. Trata-se de uma versão autoral composta por Marcelino que chega com a novidade de ser inteiramente ilustrada – os desenhos são assinados pela designer Suzana Paz – e que mescla, em sua concepção textual, prosa e poesia, conferindo um caráter ainda mais abrangente à famosa narrativa.

Todos os personagens principais estão lá – o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Covarde, por exemplo – aproximando o público de forma efetiva e convidando-o a partilhar dos novos detalhes adicionados à trama.

“Pelo fato de trabalhar com literatura, teatro e música, vi uma oportunidade de, sobretudo, musicar essa história que eu tinha lido na infância e que tanto mexeu comigo. Por isso mesmo, a poesia é a parte mais importante do livro, exatamente devido a minha intimidade com o processo de composição”, contextualiza Marcelino.

Teatro

O lançamento da publicação vem acompanhado de outra façanha: a apresentação de uma peça teatral, considerada a primeira versão cearense original de “O Mágico de Oz”. O musical traz, no elenco, atores do Grupo Catavento de Teatro, como Isabella Câmara, que viverá Doroth; João Pedro de Oliveira, interpretando o Espantalho; Anny d’Lima como a Bruxa Má do Oeste; o estreante Levi Frota como o Lenhador de Lata e o veterano Alexandre Santiago na pele do Leão, dentre outros atores e personagens.

“Costumo dizer que o que fazemos é uma ‘cantação’ de histórias. A ênfase dada à música é principalmente devido ao fato de eu sentir falta de canções no teatro”, comenta Marcelino, que assume o leme, com Alexandre Santiago, da direção da montagem, capitaneando todas as instâncias do projeto de adaptação do material original.

Formado por composições criadas pelo próprio escritor – também músico –, Joaquim Saldanha e David Valente, o repertório contempla referências à trilha sonora do filme homônimo (de George Cukor e Victor Fleming, lançado em 1939) e músicas de compositores eruditos, priorizando uma sonoridade rica, encorpada.

Dividido em dois atos, o espetáculo volta seus holofotes também para o trabalho cenográfico e de figurino, assinados por Francisco Damião e Carol Portelinha, respectivamente, tudo para transportar, das páginas para o palco, a magia da história. Não sem motivo, inexiste um palco fixo na peça, mas efetivamente vários cenários, tornando a performance itinerante.

De acordo com Marcelino, “pensamos em aproveitar o amplo espaço do Engenhoca Parque para fazer com que cada cenário dialogue com a identidade dos personagens, assim como a música. Quando a Dorothy vai encontrar o Homem de Lata, por exemplo, ele está no ambiente de uma oficina e a música que está tocando é uma melodia que contempla o heavy metal”.

Desafio

Indagado sobre o desafio de empreender a releitura de um clássico tão aclamado pela crítica e pelo público, o autor cearense é enfático: “Quem sou eu para recontar uma história tão bem contada? Por isso que meu pensamento é de que eu deveria adicionar elementos do meu mundo, da minha história, para dar uma nova cara a ela”.

O esforço memorialístico, então, é convertido em cores e imagens de sonhos que Marcelino traz da infância, baseado em alguns princípios. “É essencial o respeito à obra original, à fidelidade da essência narrativa – algo que rende também uma homenagem ao autor –, bem como a preocupação em colocar algo novo, que desperte a imaginação do público e de nós mesmos”, comenta.

Além disso, há também a preocupação em trazer, na publicação, um recorte linguístico e musical do Ceará, especialmente na representação da Ratinha do Campo, cuja poesia composta possui vocabulário mais popular e cujo ritmo contemplado na peça teatral é o baião.

Trabalhos

Arte-educador desde 1993, Marcelino Câmara Gomes é licenciado em Ciências Sociais pela Universidade de Fortaleza (Unifor), com especialização em Arte e Educação pelo IF-CE. Diretor do Grupo Catavento de Teatro Infantil, o artista é compositor de várias canções infantis, já tendo gravado três CDs: “Catavento” (2000), “SOLgiraSOL” (2011) e “BemMeQuer” (2003).

Na seara cênica, o projeto no qual lidera, o Grupo Catavento, tem quase 30 anos de carreira, desenvolvendo trabalhos que mesclam teatro de bonecos, musicais, dança, entre outras vertentes lúdicas de representação, engrandecendo, assim, a cena artística cearense.

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