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Adriane Garcia lança “O nome do mundo” pela editora Armazém da Cultura em BH

 

O livro O nome do mundo , de Adriane Garcia, será lançado amanhã, 7/12, às 11 horas,  no Espaço Cultural Letras e Ponto,  em Belo Horizonte. Leila Mícollis, escritora e pós doutora em Teoria Literária considera  Adriane uma das mais expressivas representantes da nossa poesia contemporânea . Os leitores de O nome do mundo  perderão o fôlego, diz Leila. ”  Eis uma poesia audaciosa _ clara direta, sem subterfúgios, crítica, corajosa, provocativa e instigante”.
Trecho do verso que dá  nome ao livro da poetisa:
O nome do Mundo
O mundo tem o teu nome
É umbigocêntrico todo mundo
E como não, se abres os olhos
De primeira
E encontras tua luz
A luz primeira
Tua escuridão…
 Abaixo,  o prefácio do livro escrito por  José Castello, escritor e crítico literário do jornal O Globo.
Adriane entre as estrelas
José Castello
Poetas são seres de vento, soprados desde as estrelas, que despencam sobre a Terra. Vultos desprotegidos, que ousam dizer o que ninguém diz. A poeta Adriane Garcia conhece as fraquezas da escrita poética. Enxerga, até, nessa penúria a borda da loucura, porque escreve inutilmente/ e sabe a inutilidade de tudo. É, portanto, uma poeta de coragem, que escreve para lutar, e não para se exibir.
A linguagem não é um brinquedinho à disposição dos tolos. Não é arma para qualquer um. Vem, como a vida, tramada na urgência. Não há tempo para o ensaio: você nasce e já está em cena. Adverte Adriane: “E nem te prepares/ Vive”. Escrever, assim como viver, é uma tentativa de sair da solidão. É o que Adriane faz – agarra-se, sem pudor, a seu leitor. Nesse abraço, oferece-lhe a beleza dos versos: Só/O homem/Procura/O outro/Homem/Só. É do humano se isolar. É do homem, também, desejar a carícia do outro.
Não é outra coisa a poesia senão esse desejo de toque, de contato, de compartilhamento. A poesia não carrega uma mensagem; ela é a mensagem. Nada quer dizer; ela é só o esforço, precário, derrotado, para dizer. Presa/ A aranha/Tece. Não possuir é a primeira condição para desejar ter. É a condição para a escrita. Fôssemos donos do mundo, e poesia não haveria.
A poesia, portanto, é um cárcere que, com sua aparência obscura, se abre e se oferece. És tu que tentas/ És tu que pensas/ És tu o olho/ Do furacão. Tu, o leitor, que, cheio de esperança, se espreme entre as linhas do poema. Tu, o leitor, que lê na esperança vã de uma resposta. Não há resposta: como se, em uma correspondência que o carteiro lhe entrega, o envelope fosse a própria carta.
És sempre tu, leitor, que o poeta mira, mesmo sabendo a impossibilidade de tocá-lo. É em tua direção que ele grita. Como não pode sair de si, tece. E continua a tecer, mesmo ciente do impossível contato. “Tu que fora de ti nada tens nem nunca terás, adverte-nos Adriane com palavras duras. Tu que fora de ti nada és nem nunca serás”. Habitamos o eterno efêmero; a própria luta é só o fio inútil em que a aranha patina. Teu, mesmo, é só teu consolo/ De ter a ti ainda.
Não é fácil, mas é confortador, ler a poesia de Adriane Garcia. Sobra-lhe, além da coragem de dizer o que deve ser dito, a delicadeza de reconhecer o fracasso – que força, quanta beleza! – do que faz. Viver é cumprir um destino, até que as moiras estiquem e cortem/ o fio”. As moiras sabem que tudo deve ser conduzido ao seu fim. Mesmo um poema, o mais belo dos poemas, precisa terminar. Tudo é efêmero. Mais: a vida é o efêmero. O que define, então, um poeta? A ousadia de agarrar-se a esse fio que se desfaz e dele arrancar alguma beleza.
E assim vivemos, alerta Adriane, em uma sucessão de pequenas mortes. A cada pequena morte, porém, não um suspiro, tampouco uma queixa, mas um verso. Sofro/ porque amanhã serei aquela/Que não conheço. Eis o efêmero: a transformação contínua. Ilusão acreditar que a vida leva ao conhecimento; ao contrário, a cada ruptura, a cada avanço, o desconhecimento se exacerba. É preciso suportá-lo. Escrever poesia é uma das mais belas formas de suportá-lo.
Daí que a poesia nada tem de natural, é puro artifício. Recomenda Adriane: Construir cultura como uma aberração/ Da natureza. Viver (escrever) não é encaixar-se, não é encontrar seu lugar, mas desviar-se e perder-se. A cada palavra: um desvio. A cada verso: uma queda. Resta ao homem aproveitar seus defeitos para inventar a beleza. Eis o poeta: em vez de negar suas aberrações, ele as transforma em palavras.
O livro de Adriane é um magnífico retrato do ser. Trêmulo, desfocado, torto, desfigurado – justamente por isso seus versos apanham o ser ali mesmo onde ele, tomado pelo horror do existir, se esquiva. O mundo tem o teu nome, ela avisa a seu leitor. Não espera que a poeta te entregue de bandeja a palavra perfeita. Ela não fará isso, não é sua missão, tampouco está em seu poder. A cada verso, a poeta limita-se a dizer: – Vai, sustenta teu nome. O poema é um chamado para que o leitor ouse se mirar e se prender, como se Adriane lhe oferecesse um espelho com algemas.
É um espelho que só reflete uma luz escura. Anota: Nas profundezas escolho e colho. Escrevendo, ela procura um coração que bate tão profundo que nunca vira luz alguma,/ nem a dos peixes abissais. Na verdade, não é no mar que a poeta mergulha, mas no abismo. Está de cabeça para baixo; a poesia inverte a lógica humana. Profundo é o abismo azul/ Ou negro de longínquas estrelas. A profundidade está acima de nós: é entre estrelas que a poeta despenca. É ali, no grande rombo do firmamento, que ela gagueja seus versos.
“Sou andante/ Centopeia/ Sem mapa/ ou paradeiro”. Para que nos servem tantas pernas – de que a técnica, hoje, nos intoxica – se, perplexos, nos escapa a direção? A poesia não é destino; a poesia é a certeza de que ele não se antecipa. Que é traiçoeiro, que é incomunicável, e imprevisível. Ainda assim, avançar. Adverte-nos Adriane, acabando com nossas ilusões a respeito dos poderes curativos do tempo: O tempo não age/ Só permite/ As intempéries, elas sim. Resignar-se, então? Não, Adriane sabe que a dor é condição da poesia.

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