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Acervo do escritor José de Alencar será digitalizado

Material ficará disponível para consulta pública nos computadores da biblioteca da Casa de José de Alencar a partir de maio de 2012

Publicado no Jornal do Commercio

José de Alencar, romancista brasileiro. Entre seus principais livros estão “Senhora”, “Lucíola” e “O Guarani”. 

Manuscritos e documentos inéditos do pai do romance brasileiro, o escritor cearense José de Alencar, serão digitalizados e colocados à disposição numa biblioteca virtual que terá como centro de referência a casa onde ele nasceu, em Fortaleza. O material ficará disponível para consulta pública nos computadores da biblioteca da Casa de José de Alencar a partir de maio de 2012.

O projeto, orçado em R$ 100 mil, será realizado pela Casa de José de Alencar em parceria com o Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará e o Arquivo Histórico do Museu Histórico Nacional.

Entre os 29 documentos, destacam-se treze cadernos manuscritos com fragmentos de textos já publicados, como o livro autobiográfico “Como e Por Que Sou Romancista” e do ensaio filosófico e antropológico “Antiguidade da América”. Também serão digitalizados trechos do primeiro romance de Alencar, “Os Contrabandistas”, que, segundo o pesquisador Marcelo Peloggio, não chegou a ser concluído. “Foi a primeira tentativa de Alencar de escrever um romance”, diz Peloggio. “Alguns desses papéis se perderam. Afinal são documentos de 1846.”

Boa parte desse material que será digitalizado foi transformada em livro por Peloggio, após três anos de pesquisa no acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio, onde os documentos encontram-se expostos. A obra traz textos de Alencar guardados há mais de 130 anos, que ainda não haviam sido publicados integralmente. O pesquisador identificou fragmentos e anotações em 11 cadernos do escritor cearense que compõem dois manuscritos sobre a origem da humanidade e sua extinção, “Antiguidade da América” e “A Raça Primogênita”.

“São textos de caráter antropológico e filosófico, talvez os últimos de Alencar. Aventam a hipótese de que o homem surgiu na América e aqui vai se extinguir”, diz Peloggio. Os ensaios consideram que o berço da humanidade seria a América e que o mundo terminaria em um grande massacre, que se passaria no continente.

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