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A maldicão do iPad

Enquanto a combalida economia americana não dá sinais de melhora, persiste também a proliferação de teses para explicar a apatia. Uma delas se destaca por não apontar os suspeitos de sempre e é a base do livro de economia mais comentado do ano, segundo a revista The Economist.

The Great Stagnation (“A grande estagnação”, sem tradução para o português), do americano Tyler Cowen, professor de economia da Universidade George Mason, não demoniza os especuladores de Wall Street nem o efeito perverso do excesso de liquidez no mundo, a exemplo de outros pensadores.

Para ele, a culpa pela demora da retomada do crescimento está na mudança da natureza da inovação tecnológica no último século. A comparação entre a indústria automobilística e a indústria da internet é simbólica. A GM tem 202 000 funcionários. A Apple emprega 49 400 e o Facebook, com 500 milhões de clientes, apenas 2 000.

“A internet é maravilhosa, mas não gera empregos ou receitas na mesma velocidade que inovações do passado”, escreve Cowen em seu livro publicado, por ironia, apenas em versão online para tablets.

A alegoria que marca a transição entre a pujança e a decadência, para Cowen, é o pouso do homem na Lua, em 1969. O que naquele momento parecia o início de um longo período de novas descobertas se mostrou, na verdade, o auge de uma era de conquistas. O ritmo de inovações no país atingiu um platô.

De acordo com o autor, os Estados Unidos produziram mais patentes em 1966 do que em 1993 — o volume de registros caiu de 54 600 para 53 200. E o que veio a partir daí enterrou de vez a era da mão de obra intensiva. Não por coincidência, diz, o salário médio dos americanos praticamente estagnou de lá para cá.

A renda média da população dobrou de 1945 a 1975, de 25 000 para 50 000 dólares per capita por ano. Hoje é de apenas 55 000 dólares. (Se tivesse mantido a progressão das décadas anteriores, estaria num patamar bem maior — de 90 000 dólares anuais para cada americano.) Isso não significa que o país tenha deixado de produzir bilionários.

Ao contrário. Mark Zuckerberg, criador do Facebook, e a dupla Sergey Brin e Larry Page, cofundadores do Google, estão aí para provar que, assim como na Revolução Industrial, amadores podem fazer sucesso na revolução da internet (e até construir fortunas numa velocidade ainda maior). Para o autor, essa é apenas mais uma evidência de que as novas tecnologias criam mais riqueza particular do que coletiva — e só aumentam o abismo de renda no país.

O livro se torna polêmico, porém, ao apontar problema onde todos só veem solução. É consenso que as inovações atuais trouxeram benefícios, como tornar a comunicação mais eficiente e barata. Platôs de crescimento já foram apontados antes, para a posterior frustração de seus profetas.

Cowen, por sua vez, se mostra mais empenhado em alimentar o debate do que apontar saídas. Segundo sua visão pessimista, a solução está distante.

Fonte: Blog Livros e Pessoas

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